Níveis mais altos de vitamina D, ainda dentro da faixa considerada normal, podem estar associados com um aumento do risco de câncer de pele não-melanoma.

Num estudo coorte, Melody Eide, MD, e seus colegas no Henry Ford Hospital, em Detroit, observaram que pessoas com níveis mais altos do soro 25-hidroxivitamina D (25 (OH) D) tinham mais propensão a desenvolver células escamosas ou carcinoma basocelular. Mas outros fatores, como a exposição demasiada ao sol, provavelmente podem complicar essa relação.

Os raios UVB são conhecidos por causar câncer de pele, mas também aumentam a síntese cutânea de vitamina D, notaram os pesquisadores. Eles acrescentaram que a relação entre a vitamina D e o câncer de pele é complexa e muitos estudos apresentam resultados conflitantes. De fato, algumas pesquisas sugerem que a vitamina D poderia reduzir o risco de carcinoma basocelular, enquanto outros estudos tiveram resultado oposto.

Para ajudar a esclarecer a situação, os pesquisadores analisaram dados por um período de nove anos e oito meses, acompanhando 3.223 indivíduos brancos de um plano de saúde (HMO) com alta probabilidade de desenvolver câncer de pele não-melanoma. Os participantes tinham procurado aconselhamento para osteoporose ou baixa densidade óssea entre janeiro de 1997 e dezembro de 2001, e sua avaliação incluiu níveis de soro 25 (OH) D, um marcador para ingestão e armazenamento da vitamina D.

Foi usada a base de dados da HMO para rastrear a incidência de casos basocelulares e de carcinoma de células escamosas. Quando avaliados, 2.257 participantes não tinham nível suficiente de vitamina D, de pelo menos 30 nanogramas de 25 (OH) D por mililitro de soro.

Foram identificados 240 pacientes com câncer de pele não-melanoma, incluindo 49 com carcinoma de células escamosas, 163 com carcinomas basocelulares e 28 com os dois tipos. A maioria dos casos – cerca de 80% – ocorreram em locais frequentemente expostos ao sol.

Quando os pacientes foram divididos em quatro grupos de acordo com o seu nível de 25 (OH) D, houve uma tendência relacionando os níveis mais altos ao risco de câncer de pele, que foi significativo em P=0,02. Comparado com o quarto de pacientes com nível mais baixo, o mais elevado (menos que 19 nanogramas por mililitro contra 31 ou mais) teve uma probabilidade de câncer na proporção de 1.6 (95% CI 1.1 a 2.3). Os dois quartos intermediários também tinham níveis elevados, mas não foram significativos se comparados com o quarto mais baixo.

Uma análise de regressão logística revelou que ter um nível de vitamina D um pouco acima do corte para a deficiência – menos de 15 nanogramas de 25 (OH) D por ml de soro – está associado com um maior risco de câncer de pele não-melanoma.

Os pesquisadores acrescentaram que além da luz UVB, a descoberta também pode ter ser influenciada por fatores como níveis de vitamina D dos participantes ao longo da vida e consumo de suplementos de vitamina D, que eles não foram capazes de investigar. Eide e seus colegas também advertiram que o estudo foi realizado em uma única instituição e que as pessoas que procuraram aconselhamento para o risco de osteoporose representam um grupo auto-selecionado que pode não ser uma população representativa.

Fonte: medpagetoday.com

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