Um estudo longitudinal com homens em estadio I de seminoma, uma forma comum de câncer testicular, sugere que a vigilância ativa é suficiente para a maioria dos homens submetidos a cirurgia com êxito, em lugar da quimioterapia ou da radioterapia adicional. Os pesquisadores descobriram que 99,6% dos pacientes que foram submetidos à vigilância estavam vivos dez anos após o diagnóstico inicial.

A vigilância ativa implica cinco anos de controle através de exames de raio-X de torax, tomografias e exames de sangue. Na Dinamarca, onde o estudo foi realizado, a vigilância é a estratégia de escolha para o acompanhamento desses pacientes. Nos Estados Unidos, cerca de 50% dos pacientes recebem vigilância isoladamente após a cirurgia, enquanto que o restante é submetido a radioterapia ou a quimioterapia com carboplatina. A tendência aponta para a adoção crescente da vigilância nos Estados Unidos, uma mudança que provavelmente se fortalece com estes novos dados. Evitar tratamentos adicionais poupa pacientes de efeitos colaterais nocivos associados, como um potencial risco de tumores secundários, incluindo cânceres gastrointestinais e leucemia, após a radioterapia.

“Este é o maior estudo para resolver a melhor abordagem em pacientes com estágio I de seminoma, e com o maior follow-up. Agora temos uma prova sólida de que a vigilância é segura e apropriada para a maioria dos pacientes com este tipo específico de câncer”, disse Mette Sakso Mortensen, do Departamento de Oncologia do Hospital Universitário de Copenhague, na Dinamarca. “Nós também conseguimos caracterizar os fatores prognósticos importantes para a recaída, o que pode nos ajudar a identificar pacientes de alto risco que podem precisar de terapia adjuvante em vez de vigilância. No entanto, a vigilância fica como a melhor escolha nos casos de seminoma em fase I”, esclarece.

Usando um banco de dados clínicos com amostras de todo o país, os pesquisadores identificaram 1.822 pacientes com seminoma estadio I seguidos em um programa de vigilância por cinco anos na Dinamarca. Os pacientes foram acompanhados por um período médio de 15,4 anos. Todos foram submetidos a cirurgia inicial. Os dados mostram que 355 de 1.822 doentes (19,5 %) tiveram uma recaída e foram tratados com radioterapia (216 doentes), quimioterapia (136 casos), ou cirurgia (3 pacientes). A sobrevida específica por câncer em dez anos foi de 99,6 %. Esta taxa revela apenas quatro mortes para cada 1.000 homens acompanhados no programa de vigilância.

Os pesquisadores descobriram que o tamanho do tumor influi na recaída (maior do que 1,5 polegadas), assim como os níveis elevados de um marcador de sangue chamado gonadotrofina coriônica humana, também associado a recorrência e a pacientes de alto risco.

O seminoma responde por cerca de metade dos casos de câncer testicular. Apresenta-se como um câncer raro na população em geral, mas é o tumor sólido mais comum entre homens jovens. Cerca de 4.000 novos casos de seminoma estadio I serão diagnosticados nos Estados Unidos este ano. O tratamento inicial típico para a doença é a orquiectomia ou a remoção cirúrgica do testículo afetado e do cordão espermático.

“É um estudo importante, que revela que muitas vezes ” menos é mais ” na assistência ao paciente. Optar pela vigilância poupa os pacientes, em geral homens jovens, dos efeitos colaterais nocivos da quimioterapia e da radioterapia sem diminuir suas chances de uma vida longa e saudável “, disse o presidente eleito da ASCO, Clifford A. Hudis.

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