Oncologista com carreira de renome internacional, Paulo Hoff assumiu este ano a liderança do projeto nacional do Grupo Oncologia D’Or como presidente da instituição.

Entre suas metas, está o crescimento e o aprimoramento dos serviços da empresa e uma maior integração entre as clínicas e os hospitais da Rede D’Or São Luiz. No V Congresso, Hoff participou da abertura comentando sua chegada e também como moderador do módulo de Gastro e do Saúde e Mídia, no qual elencou os desafios futuros da oncologia.

Como senhor encara o desafio de presidir o Grupo Oncologia D’Or e quais as perspectivas para o futuro?

O desafio naturalmente é muito grande, mas eu encaro com grande empolgação pelo tamanho do trabalho que pode ser desenvolvido, e com grande respeito por um grupo que é, sem dúvidas, um dos maiores líderes em oncologia da América Latina. O tamanho da estrutura que já está montada e a magnitude dos investimentos que estão sendo feitos, asseguram que a Oncologia D’Or tenha uma relevância muito grande no cenário nacional e internacional. É uma honra muito grande que eu tenha sido convidado para liderar esse projeto. E um dos motivos que me fez aceitar esse convite foi a possibilidade de aplicar um trabalho sério de tamanho nacional e não somente à camada mais premium do mercado, mas também a outros segmentos da sociedade que são tratados pelo Grupo Oncologia D’Or. Liderar a Oncologia D’Or me permite desenvolver um trabalho de qualificação cada vez maior ao atendimento que é dado regionalmente e nacionalmente.

Falando de desafio, o senhor comentou em palestra para imprensa sobre os principais desafios da oncologia hoje. Poderia ressaltar alguns que considera mais importantes?

A medicina que é praticada hoje ainda não é como se espera que será em poucos anos. Vamos ter cada vez mais uma individualização dos tratamentos. Essa individualização não é simples nem barata, mas o resultado final é um tratamento mais efetivo e de valor maior. Costumo usar um exemplo de dois inibidores de EGFR, cetuximabe e panitumumabe, que eram utilizados para 100% dos pacientes com adenocarcinoma de cólon com doença metastática. Produtos disponíveis hoje no mercado, anticorpos monoclonais com atividade razoável, que se justificavam. Eles tinham um custo elevado e todos os pacientes eram candidatos a usá-los. Ao logo dos últimos dez anos, porém, houve a identificação de alterações moleculares de células cancerosas que levavam à resistência ao medicamento. Hoje esses produtos podem beneficiar cerca de 40% dos pacientes, e os 60% restantes, que identificamos por exames moleculares, terão um critério de exclusão.

Em termos de sociedade, o custo do remédios não mudou, mas o que é dispendido pelas fontes pagadoras caiu 60% e não houve nenhum decréscimo de benefício aos pacientes porque os que não são trados não teriam benefício de qualquer maneira. Essa é a realidade que personificação da medicina, embora cara, pode trazer. Teremos a possibilidade de usarmos o que funciona para quem precisa em vez de usar tudo para todos. O que esperamos para o futuro é que cada vez mais a decisão seja baseada em alterações moleculares.

Como o senhor vê a importância de um evento científico como este para o paciente e para os profissionais de saúde?

O evento nos deixou extremamente satisfeitos. Temos mais de 4 mil participantes registrados, as salas estão cheias, temos uma participação muito ativa da audiência em relação às palestras e acho que esse tipo de iniciativa é fundamental por várias razões. Primeiro, porque permite aos profissionais de saúde de todas as especialidades uma atualização feita com indivíduos com grande expertise nessas áreas. Segundo, um congresso como este permite relações interpessoais extremamente importantes para formação de rede. É importante que médicos, enfermeiros, de variados estados, tenham a oportunidade de trocar ideias e consigam então disseminar as melhores práticas entre todos. E finalmente, quando a gente trata de uma empresa como a Oncologia D’Or é muito importante que tenhamos uma grau de harmonização de condutas. É importante que o paciente que é atendido em um estado tenha a mesma qualidade e nível de evidência em seu tratamento que o paciente atendido em outros estados e um evento como este torna muito mais fácil a harmonização de condutas.

Para os pacientes, os benefícios são muito óbvios. Os profissionais que vão ter relação com o paciente estarão atualizados, vão ter maiores condições de fazer discussões com colegas sobre casos complicados e o paciente vai ter certeza de que, independentemente da região do Brasil e unidade da Oncologia D’Or que ele esteja recebendo o tratamento, o nível de qualidade e expertise será similar.

 

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Jornal dia 01 
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Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.