O cuidado com o paciente com câncer vai muito além do atendimento com o oncologista e cirurgião. Pensando em toda a gama de abordagens envolvidas nesse atendimento, o V Congresso Internacional Oncologia D’Or desse ano traz um módulo dedicado ao cuidado integral. Coordenado por Henry Najman (Coordenador do centro de oncologia no Hospital Quinta D’Or), Lisiana Szeneszi (Cuidados Paliativos na Oncologia D’Or e Hospital Quinta D’Or), Antonio Abílio Santa Rosa (geneticista na Oncologia D’Or), Claudia Burlá (Geriatra), Flávio Cure (Cardiologista na Rede D’Or) e Daniel Herchenhorn (Oncologia D’Or) o módulo
vai debater questões como dor e cuidados paliativos, oncologia geriátrica, cardio-oncologia e aconselhamento genético.”Esta sessão possibilitará a participação e a integração das diferentes áreas relacionadas à saúde, que serão envolvidas em uma discussão de alto nível científico e com uma abordagem multidisciplinar prática, já utilizada pelos profissionais
envolvidos que compartilharão as suas experiências”, comenta Lisiana Szeneszi. Entre os destaques, está a cardiologista italiana Daniele Cardinalle (IEO – Istituto Europeo di Oncologia) que vai compartilhar sua experiência com o monitoramento cardíaco de pacientes oncológicos. O trabalho de Cardinalle é focado tanto no cuidado ao paciente oncológico
com problemas cardíacos prévios quanto na cardioproteção dos pacientes sob regimes cardiotóxicos.

“Nos últimos anos a sobrevida de pacientes oncológicos aumentou significativamente. Para alcançar esses resultados, porém, um preço alto tem sido pago em termos de efeitos colaterais ao coração dos pacientes”, comenta a médica. “O padrão atual de monitoramento da função cardíaca detecta a cardiotoxicidade somente quando um comprometimento já ocorreu, não permitindo estratégias preventivas. Desenvolvemos uma abordagem diferente para identificar estágios precoces combinado com um tratamento para prevenir suas consequências.”

Com mais de 20 anos de experiência em pesquisas e ensaios clínicos na área, a médica e sua equipe criaram procedimentos específicos que incluem o estabelecimento de biomarcadores cardíacos (Troponina I e NT-ProBNP) e terapia preventiva com inibidores ACE para pacientes de alto risco cardíaco. Ao longo de 10 anos, 4 mil pacientes se beneficiaram com o protocolo. Os pacientes estão sendo tratados com sucesso sem piora da condição cardíaca e ocorrência de eventos adversos.

“Trata-se de um campo muito novo na medicina, que cresce rapidamente e necessita de mais evidências, estudos e, principalmente, da colaboração entre cardiologistas e oncologistas”, diz a médica.

Em genética serão debatidas a identificação de predisposições hereditárias ao câncer, a base genômica dos tratamentos personalizados, além de outras condutas diagnósticas como a medicina de precisão.

Em geriatria, serão abordados os conceitos mais modernos relacionados à avaliação médica dos idosos com câncer, o tratamento da depressão e o impacto da demência na sua autonomia. O módulo contará também com o internacional Daniel Przybysz (Washington University in St. Louis) que irá abordar o papel da radioterapia no manejo da dor e paliação.

 

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Jornal dia 01 
Jornal dia 02

 

 

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.