Para os pacientes com mieloma múltiplo latente, o padrão de atendimento é de observação até o surgimento de sintomas como anemia, dor óssea, alterações no cálcio ou na função renal. No entanto, esta abordagem não consegue identificar os pacientes de alto risco que podem se beneficiar de uma intervenção precoce.

Parcela dos pacientes de MM evoluiu sem sintomas na fase inicial, mas apresenta risco de 50% de progressão da doença no período de dois anos, alguns com até 80% a 90% de risco de progressão.

A equipe do Hospital Universitário de Salamanca, chefiada pela onco-hematologista MaríaVictoria Mateos (foto), conduziu um estudo aberto, randomizado, de fase III, que distribuiu aleatoriamente 125 pacientes de mieloma múltiplo latente, considerados de alto risco, para tratamento ou observação.

Os pacientes no grupo de tratamento receberam um regime de indução com nove ciclos (lenalidomida+ baixas doses de dexametasona), seguido por um regime de manutenção, em ciclos de 28 dias. O endpoint primário foi o tempo de progressão para a doença sintomática. Os desfechos secundários foram taxa de resposta, duração de resposta, sobrevida global e segurança.

Após um seguimento de 40 meses, o tempo médio para progressão foi maior no grupo de tratamento em relação ao grupo de observação e a diferença foi estatisticamente significativa. No braço tratado, apenas 22% de pacientes haviam progredido, enquanto entre os pacientes não tratados a taxa de progressão da doença alcançou 74% (HR:5.59; 95% IC (2.9-11) Isso demonstra que o tratamento precoce adia o aparecimento dos sintomas.

A taxa de sobrevida em três anos também foi maior no grupo de tratamento (94 % vs 80%; p = 0,03). Uma resposta parcial ou melhor foi observada em 79 % dos pacientes no grupo de tratamento, após a fase de indução, e alcançou 90% na fase de manutenção. Em cinco anos, a sobrevida estimada é de 94% no grupo de pacientes tratados, versus 78% no braço de observação. Os efeitos tóxicos foram considerados baixos, principalmente de grau 2 ou menor.

Em conclusão, o estudo espanhol traz uma prova de princípio ao demonstrar que o tratamento precoce de pacientes com mieloma latente de alto risco atrasa a progressão para a doença ativa e aumenta a sobrevida global.

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