Estudo mostra que reduzir os ciclos de quimioterapia não traz prejuízo ao tratamento da doença em pacientes jovens

Jovens com linfoma não-Hodgkin difuso de células B de baixo risco podem ser tratados com menos sessões de quimioterapia sem prejuízos no resultado final. A abordagem reduz também os efeitos colaterais e a toxicidade, aumentando consequentemente a qualidade de vida. O resultado foi apresentado hoje no maior evento de hematologia do mundo, o ASH, em San Diego (EUA).

O estudo acompanhou pacientes por cinco a onze anos e mostrou que a quimio pode ser reduzida de seis para quatro ciclos (84 x 126 dias), sem alterar a efetividade do tratamento e as taxas de recidiva.

“Com menos quimioterapia, os pacientes conseguem voltar à sua rotina normal mais rapidamente e também experimentam menos efeitos colaterais”, disse em coletiva de imprensa a autora principal do estudo, Viola Poeschel, da Saarland University Medical School (Alemanha). “Acreditamos que este será o padrão de tratamento para esse tipo de pacientes.”

O estudo usou o regime de quimioterapia com ciclofosfamida, doxorubicina, vincristina e prednisona combinado com seis meses de rituximabe. Cerca de 600 pacientes da Europa participaram do trial.

Não houve diferença estatística em termos de recidiva e progressão entre os grupos que fizeram a quimioterapia por quatro e seis meses. Após três anos, 99% dos pacientes que fizeram o regime reduzido estavam vivos, contra 98% dos que fizeram o esquema padrão.

Segundo o estudo, os efeitos adversos foram reduzidos em um terço no grupo com tratamento mais curto. Não há dados específicos de qualidade de vida, no entanto. Os pesquisadores pretendem acompanhar os pacientes por mais cinco anos ainda.

O hematologista Paulo Soares, da clínica Acreditar, vê o estudo com um grande benefício para pacientes e médicos inclusive no Brasil. “É fantástico conseguir a mesma eficácia do tratamento e reduzir a toxicidade”, comenta. “Isso tem um impacto muito grande na hematologia. Todos os hematos têm alguma paciente com essa doença e não precisamos de nenhum novo medicamento para trazer benefício.”

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.