Estudos apresentados na ASCO 2017 apontam para uso mais abrangente de droga já disponível

IMG_5961_pq

Dois estudos apresentados na ASCO deste ano trazem resultados positivos para o futuro do tratamento do câncer de próstata. A droga em comum testada nos dois ensaios clínicos é a abiraterona (Zytiga), já usada no tratamento da doença para pacientes resistentes ao tratamento padrão de castração. Os ensaios clínicos agora apontam para um uso mais amplo da droga. Um dos estudos analisou o uso do medicamento associado a prednisona para pacientes metastáticos recém diagnosticados e já tratados com hormonioterapia. O outro avaliou uso da abiratona para homens com câncer de próstata metastático ou avançado iniciando a hormonioterapia.

O primeiro trabalho, LATITUDE, foi selecionado para apresentação na sessão plenária da ASCO, que traz os mais impactantes dentre os mais de 5 mil estudos do evento. O ensaio clínico global avaliou mais de 1.200 pacientes e indica que a associação de abiraterona e prednisona ao tratamento padrão diminuiu as chances de mortalidade em 38% e mais que dobrou a sobrevida livre de progressão, de 14,8 meses no grupo controle para 33 meses.

O diagnóstico do câncer de próstata acontece já em estágio metastático em cerca de 3% dos casos nos Estados Unidos e em até 60% dos casos na Ásia. “Há uma grande necessidade de melhoria no tratamento do câncer de próstata para pacientes recém-diagnosticados com mestástase. Esses pacientes costumam morrer em mesmo de 5 anos após o diagnóstico”, diz o líder da pesquisa Karim Fizazi, da University Paris-Sud, França.

O combinação testada no estudo traz benefícios similares ao atual tratamento padrão para o câncer de próstata com quimioterapia a base de docetaxel, porém com efeitos colaterais menores. “O benefício que vemos neste estudo é similar ao uso da quimioterapia, mas a abiraterona é muito mais tolerável, com muitos pacientes não reportando sequer efeitos colaterais”, diz Fizazi.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão a hipertensão (em 20% vs. 10% no grupo controle), níveis baixo de potássio (10,4% vs 1,3%) e anomalias nas enzimas hepáticas (5,5% vs. 1,3%).

Mais evidências

O segundo estudo, STAMPEDE, avaliou nove mil homens com câncer de próstata avançado ou metastático começando o tratamento padrão com hormonioterapia. O estudo foi feito com o formato multi-arm e multi-stage e os resultados reportados este ano na ASCO são fruto da sexta rodada de comparações de tratamentos.

IMG_5966

Os pacientes que receberam abiraterona mostraram uma sobrevida livre de progressão em três anos de 83% contra 76% no grupo que recebeu o tratamento padrão. O uso da abiraterona reduziu o risco relativo de falha do tratamento em 71% e os efeitos colaterais são semelhantes ao do grupo controle, embora mais prevalentes.

Os efeitos colaterais severos ocorreram em 41% dos pacientes em comparação 29% para os que não receberam a droga. O problema mais comum, assim como no estudo LATITUDE, foram alterações cardiovasculares e problemas hepáticos. Por outro lado, a dorga reduziu o risco de complicações ósseas causadas por metástase em 54%.

Os pesquisadores acreditam que os benefícios da droga se aplicam para toda a população de pacientes com câncer de próstata e não só para os metastáticos. Eles também pretendem avaliar a possibilidade de usar o abiraterona combinado com docetaxel em pacientes com câncer de rápido crescimento.

Confira o comentário do oncologista Daniel Herchenhorn, do Grupo Oncologia D’Or, sobre esses estudos e outros relacionados a tumores urológicos no vídeo em destaque.

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.