A droga anti-estrógeno tamoxifeno pode evitar o câncer em determinados grupos de mulheres em risco, dizem pesquisadores.

Segundo modelos matemáticos, tais mulheres já teriam passado pela menopausa, mas teriam menos de 55 anos e risco elevado para câncer de mama.

Para pesquisadores, tratar mil mulheres com esse perfil com tamoxifeno salvaria nove vidas – e também economizaria cerca de US$ 50 por mulher tratada em custos médicos.

O tamoxifeno pode diminuir as chances de uma mulher desenvolver câncer de mama, mas pode aumentar seu risco para outras condições, incluindo câncer de endométrio e embolia pulmonar. O desafio é decidir quando o benefício do tamoxifeno vale os riscos.

A principal investigadora do estudo, Joyce Noah-Vanhoucke, e alguns de seus coautores trabalham para Archimedes, Inc., uma empresa de modelos de saúde. Juntos eles criaram o Modelo Archimedes de Câncer de Mama, validado em relação a Vigilância, Epidemiologia e Resultados Finais (SEER, na sigla em inglês) e em relação a outros coortes nacionais de grande porte.

Para o estudo atual, lançado online no dia 14 de março na revista Câncer, os autores simularam uma população de 1,5 milhão de mulheres que estavam em pós-menopausa e tinham menos de 55 anos de idade. A idade média para menopausa era de 47 anos.

As mesmas mulheres foram colocadas em dois cenários diferentes. Em um, nenhuma das mulheres era tratada com tamoxifeno. Em outro, as mulheres com risco elevado para câncer de mama usaram a droga por cinco anos.

Para mulheres com um risco baixo de câncer de mama em cinco anos – menos de 1,66% – usar tamoxifeno significou que dois casos de câncer de mama foram evitados para cada condição séria atribuída à droga. Ainda assim, o número de mortes por câncer evitadas foi mais baixo que o número de eventos adversos.

Mas quando o risco de câncer de mama nos cinco anos seguintes chegou a 1,66%, o modelo mostrou que para cada mil mulheres usando tamoxifeno, 29 casos de câncer de mama e nove mortes seriam evitados, enquanto nove condições médicas sérias adicionais ocorreriam. Nesse cenário, cerca de US$ 50 em custos médicos seriam economizados por mulher tratada, levando em conta o preço do tamoxifeno – cerca de US$ 200 por ano.

Mulheres com mais de 55 anos têm maior risco de efeitos colaterais do tamoxifeno, portanto os resultados podem não se aplicar a elas, dizem os autores.

Um exemplo de uma mulher com um risco de câncer de mama de 1,66% nos próximos 5 anos poderia ser alguém que entre 45 e 50 anos, com história familiar de câncer de mama, disse Noah Vanhoucke a Reuters Health.

“Outra”, disse ela, “seria uma mulher ao redor dos 55 anos, com história de biópsias de mama benignas no passado. Mas esses 1,66% também incluem mulheres que ainda estão no começo dos seus 50 anos, que começaram a menstruar muito cedo e talvez não tenham filhos, ou tiveram filhos mais tarde”, e portanto passaram a maior parte de suas vidas expostas a estrógeno.

Mulheres e seus médicos podem calcular seu risco de câncer de mama em cinco anos usando uma ferramenta do National Câncer Institute.

Os autores reconhecem que o modelo pode não se encaixar perfeitamente ao mundo real – por exemplo, muitas mulheres usando tamoxifeno podem perder uma dose esporadicamente, o que pode afetar seu risco para câncer de mama.

Diretrizes nacionais recomendam tamoxifeno para mulheres que têm risco elevado de câncer de mama. Esses achados trazem mais informação sobre essa recomendação, dizem os autores.

Fonte: Medscape

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