Um dos destaques do San Antonio Breast Cancer Symposium, principal encontro mundial sobre câncer de mama, foi o NeoALTTO III (Neoadjuvant Lapatinib and/or Trastuzumab Treatment Optimization), um estudo randomizado, de fase III, que busca avaliar se a combinação de duas terapias-alvo para HER2, trastuzumabe e lapatinibe, administradas antes da cirurgia (terapia neoadjuvante) com a quimioterapia standard com paclitaxel, traz mais benefícios do que apenas uma das terapias-alvo para HER2 dadas com a mesma quimioterapia. Os objetivos secundários incluem sobrevida livre de doença e sobrevida global.

De janeiro de 2008 a maio de 2010 foram recrutados 455 pacientes com câncer de mama HER2 positivo, com tumores maiores que 2 centímetros de diâmetro, selecionados em 23 países na Europa, Ásia, América do Norte, América do Sul e África do Sul.
Desses pacientes, 154 foram aleatoriamente designados para lapatinibe, 149 para receber o trastuzumabe e 152 para a combinação das duas drogas. As terapias-alvo foram administradas em monoterapia durante seis semanas e, em seguida, foi administrada a quimioterapia com paclitaxel por mais 12 semanas, momento em que a cirurgia foi programada. Após a cirurgia, os pacientes receberam quimioterapia adjuvante, seguida pela mesma terapia-alvo para HER2 da fase neoadjuvante até completar 52 semanas. O acompanhamento está previsto para dez anos após o último paciente randomizado.

Os resultados da análise inicial da sobrevida livre de eventos e sobrevida global apresentados durante o SBACS 2013 mostraram que 51,3% dos pacientes randomizados para trastuzumabe neoadjuvante + lapatinibe tiveram uma resposta patológica completa em comparação com 29,5% e 24,7% dos pacientes randomizados para o uso neadjuvante de trastuzumabe e lapatinibe, respectivamente.
Em 2014, os resultados do estudo ALTTO (Adjuvant Lapatinib and/or Trastuzumab Treatment Optimization), que está testando a eficácia do duplo tratamento com trastuzumabe e lapatinibe após a cirurgia de câncer de mama, também estarão disponíveis. “Se os resultados de ambos os estudos estiverem em sintonia, e dependendo da sua força, podemos testemunhar um novo padrão de cuidados para gerir câncer primário de mama HER2 positivo”, afirmou Martine Piccart-Gebhart, presidente do Breast International Group (BIG) e primeira autora do estudo (foto).

O estudo teve apoio da GlaxoSmithKline (S101).

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