Organizado pelo Instituto Oncoguia, o II Fórum Regional de Discussão de Políticas de Saúde em Oncologia, realizado dia 14 de março no Rio de Janeiro, contou com palestras de diversos agentes no universo do câncer no Rio de Janeiro, como diretores de hospitais públicos, do INCA e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, representante da Federação dos Hospitais Filantrópicos do RJ e gerente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, entre outros, que revelaram dados alarmantes sobre as políticas públicas do câncer no estado.

Entre as discussões, destaque para a falta de uma Regulação da Assistência ao Paciente com Câncer no Rio de Janeiro. O estado não tem uma metodologia organizada para mediar o caminho do paciente dentro Sistema Único de Saúde entre o cuidado da saúde, o diagnóstico do câncer e o início do tratamento.

Regular a Assistência é organizar o caminho que o paciente faz para conseguir acionar o Sistema Único de Saúde em todos os seus graus de complexidade, desde o acesso a uma consulta e exame, até o final do tratamento. Gestores de hospitais do Rio de Janeiro deixaram clara a grande dificuldade para o acesso a simples exames, como a mamografia, e para os exames mais complexos, como colonoscopias e biópsias.

A mastologista Thereza Cypreste, fundadora e diretora técnica da ADAMA (Associação dos Amigos da Mama de Niterói), afirmou que além dos problemas decorrentes da ineficiência das centrais de regulação, há ainda a urgência na contratação de médicos especialistas. “No serviço que dirijo faltam patologistas. Estou com um exame desde o final do ano passado ainda sem biópsia. Porque? Pois dois médicos se aposentaram e não foi aberto concurso público até agora”.

O representante da FEMERJ – Federação dos Hospitais Filantrópicos do Rio de Janeiro – Dr. Marcelo Prelló, citou como problema maior a escassez de recursos e de serviços. “Não adianta a regulação enviar o paciente para fazer um exame se o hospital não é capaz de atendê-lo. Nós estamos aqui falando em gestão da saúde, mas deveríamos falar de gestão do subfinanciamento da saúde”.

Outros debates que marcaram o Fórum foram o acesso ao tratamento rápido e de qualidade como saída à judicialização, a inclusão da quimioterapia oral no rol de procedimentos da ANS e discussões sobre os direitos do paciente com câncer.

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