O congresso tratou do diagnóstico do câncer de pulmão sob diferentes óticas.

 

O câncer de pulmão é uma das principais causas de morte no Brasil, com 27 mil novos casos registrados por ano. O país tem demonstrado um expressivo avanço no tratamento contra a doença, mas ainda há muito a ser feito. Principalmente quando se trata do diagnóstico precoce. Pensando nisso, o Grupo Oncologia D’Or e o seu Núcleo de Excelência em Oncologia Torácica (NEOTÓRAX) organizaram um simpósio I Simpósio de Diagnóstico em Câncer de Pulmão realizado no Centro de Convenções Prodigy Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro, nos dias 1 e 2 de abril. O evento contou com a presença de especialistas internacionais e nacionais em câncer de pulmão, entre oncologistas, cirurgiões, radiologistas, patologistas e outros, além de profissionais voltados para o estudo da economia da saúde. A questão do acesso e dos dados sobre a farmacoeconomia da doença no país permearam todas as discussões.

O Dr. Carlos Gil Ferreira, coordenador do simpósio, destacou as dificuldades de acesso a diagnóstico e tratamento de ponta no Brasil.

“Desde a implementação da primeira campanha de controle do tabaco nos anos 1980 no Brasil até hoje observamos uma queda importante no câncer de pulmão aliada ao tratamento sistêmico da doença. Mas nem os custos nem a epidemiologia da doença no Brasil estão bem definidos”, afirmou o coordenador do evento, o Dr. Carlos Gil Ferreira, diretor institucional do Grupo Oncologia D’Or. “Avaliação de resultados não é característica cultural nossa, mas precisamos de dados para tomar decisões responsáveis.” Ferreira, junto com a equipe do NEOTÓRAX e instituições parceiras, como o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), pretende obter esses dados e investir em pesquisas de desenvolvimento de kits de diagnóstico e estudos clínicos para dar acesso à população. “O diagnóstico molecular já é uma realidade em câncer de pulmão, mas menos de 25% dos pacientes com adenocarcinoma no país são testados e isso apenas no sistema privado. No sistema público esse acesso provavelmente é menor que 10%”, comentou. “Nossa unidade de pesquisa em oncologia nasce com o desejo de desenvolver uma nova forma de articulação entre academia e setor produtivo para que o produto chegue na ponta, que é o paciente.”

Foram transmitidas ao vivo duas cirurgias de pulmão conduzidas pela Dra Paula Ugalde, do Canadá.

Outro fator levantado no evento foi a integração multisdisciplinar, crucial para definição do tratamento. O próprio modelo do simpósio favoreceu a troca entre diferentes especialidades. Durante um curso pré-evento, foram realizadas e transmitidas ao vivo duas cirurgias de pulmão pela Dra. Paula Ugalde, do Instituto Universitário de Cardiologia e Pneumologia de Quebec (Canadá). Profissionais de variadas formações presentes no simpósio acompanharam o procedimento e trocaram experiências e pontos de vistas sobre as decisões tomadas. Novas tecnologias e implementaçãoOutro tema de destaque no simpósio foram as novas tecnologias de diagnóstico molecular. A farmacêutica Cecilia Schott, representante global de medicina personalizada da AstraZeneca, abordou as novas metodologias de diagnóstico genético, como a biópsia líquida, que já é uma realidade na clínica em países como EUA, Japão e China permitindo identificar mutações específicas para o câncer com um simples exame de sangue. “Esse tipo de teste já está revolucionando o diagnóstico do câncer de pulmão, pois é mais simples de coletar, permite monitorar a progressão da doença, pode ser usado para fazer o rastreamento e sai mais em conta do que a biópsia de tecido, se levarmos em conta todos os custos envolvidos”, disse Schotts, ressaltando, porém, que a biópsia líquida ainda tem sensibilidade inferior ao teste de DNA realizado com biópsia de tecido.

Dra Natasha Leigh falou sobre estratégias de acesso a testes biomoleculares para câncer.

O oncologista e pesquisador do IDOR Marcelo Reis também abordou os testes moleculares, mais especificamente os métodos de next generation sequencing (NGS), que possibilitam identificar mais de um biomarcador de câncer em uma só amostra. Para Reis, a tecnologia é promissora e mais custo-efetiva do que a análise sequencial, mas ainda carece de dados sobre utilidade clínica. O alto custo dos novos métodos e as possíveis estratégias de incorporação no sistema de saúde foram debatidos pelos convidados internacionais Jeffrey Hoch, economista da Universidade de Toronto (Canadá), e Natasha Leighl, oncologista do Princess Margaret Hospital de Toronto (Canadá). Natasha contou sua experiência com um projeto que tenta tornar os testes moleculares mais baratos e acessíveis. “Tivemos bons resultados investindo em testes mais simples para rastreamento mais amplo, deixando os testes mais caros para a parcela da população que tem maior risco de câncer”, disse. “Precisamos sentar com as indústrias farmacêuticas e com os governos e conversar sobre o que pode ser feito e as estratégias de compartilhamento de despesas.”

revista-onco

Oncologia para todas as especialidades.