Após relatos de mortes, FDA lança nota sobre relação entre o implante de silicone mamário e o surgimento de câncer

O Food and Drug Administration (FDA), equivalente à Anvisa dos EUA, lançou uma nota sobre a relação entre o implante de silicone e um tipo raro de câncer que estaria associado à prótese, o linfoma anaplásico de grandes células.

A agência já havia identificado uma possível associação entre o implante a o surgimento desse tipo de câncer em 2011 e na nova nota divulgou que pelo menos 12 mortes pela doença, nove nos Estados Unidos e outras três na Austrália, poderiam estar ligadas ao silicone.

A notícia rapidamente se espalhou e preocupou a população. Em resposta, a Sociedade Brasileira de Mastologia lançou uma nota esclarecendo que osdados já eram conhecidos da comunidade médica e que “não há necessidade de alarme em relação a riscos oncológicos ou em relação a outras doenças que possam ser provocadas pelas próteses mamárias”. A instituição diz ainda que as próteses mamárias são as que foram mais extensivamente estudadas na literatura científica. Além disso, o silicone está na composição de diversos outros produtos da área médica.

O linfoma anaplásico de grandes células associado às próteses mamárias é um subtipo bastante raro de linfoma de células T. Estima-se que possa surgir um caso em cada 500 mil mulheres com próteses e os índices de cura são altos, ultrapassando 90% dos casos. A maioria das pacientes é tratada apenas com a remoção da prótese e da cápsula, sem a necessidade de quimioterapia ou radioterapia.

O oncologista Anderson Silvestrine, do Acreditar, Grupo Oncologia D’Or, pontua ainda que por ser um evento raro, não existe ainda um risco estabelecido entre a colocação do implante e o desenvolvimento do câncer.

“A incidência é bastante rara, mas parece haver uma relação maior com as próteses com textura. É importante que a paciente se informe e discuta com seu cirurgião plástico sobre os riscos associados com a colocação das próteses e se alguma alteração ocorrer em pacientes com prótese”, indica o médico, que não presenciou nenhum caso da doença em sua prática.

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.