Um estudo internacional randomizado de fase III mostrou que o vemurafenibe (também conhecido com PLX4032), que age sobre as mutações V600E no gene BRAF, é a primeira droga a melhorar a sobrevida global quando comparado a quimioterapia padrão em pacientes com melanoma avançado. Ele é também a primeira droga a melhorar a sobrevida livre de doença e a taxa de resposta nesses pacientes. Se aprovado pelo FDA, o vemurafenibe pode se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes com essa mutação genética. A droga tem recebido grande atenção graças a resultados impressionantes ainda em estágios iniciais dos estudos clínicos. Esses estudo foi o primeiro a mostrar conclusivamente que a droga melhora a sobrevida de maneira significativa se comparada a terapia padrão.

O estudo foi divulgado e recebido com grande entusiamo pelos mais de 30 mil médicos presentes na 47ª edição do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), em Chicago.

“Esse é realmente um grande passo em direção ao tratamento personalizado do melanoma”, disse Paul Chapman, principal investigador do estudo e médico do serviço de melanoma/sarcoma do Memorial Sloan-Kettering em Nova York. “É o primeiro tratamento de melanoma bem sucedido feito sob medida para pacientes que carregam um determinada mutação genética no tumor, e pode eventualmente se tornar uma das duas únicas drogas disponíveis que melhoram sobrevida global em cânceres avançados.” A outra droga, ipilimumabe, também foi um dos destaques da sessão plenária da ASCO 2011.

Aproximadamente metade dos melanomas carregam a mutação V600E no gene BRAF. O estudo comparou a eficácia – sobrevida global e sobrevida livre de doença – do tratamento com vemurafenibe com o quimioterápico dacarbazina em 675 pacientes com melanoma metastático estágio IIIC ou IV, inoperável e sem tratamento prévio e uma mutação V600E no gene BRAF.

Na análise parcial planejada numa mediana de três meses, pacientes que receberam vemurafenibe tiveram uma redução de risco de morte de 63% comparados aos pacientes recebendo dacarbazina. O grupo recebendo vemurafenibe também apresentou 74% na redução de risco de progressão (ou morte) comparado ao grupo recebendo dacarbazina. Além disso, os pesquisadores observaram que aqueles recebendo vemurafenibe tiveram uma taxa de resposta de 48,4%, comparada a 5,5% no grupo recebendo dacarbazina. Na primeira análise parcial, recomendou-se que os pacientes recebendo dacarbazina mudassem para vemurafenibe.

Menos de 10% dos pacientes que receberam vemurafenibe experimentou problemas com altos níveis de toxicidade – grau 3 ou pior. Os efeitos colaterais mais comuns foram rashes, fotossensibilidade e dor nas articulações. Entre 20% e 30% dos pacientes desenvolveram câncer de pele de baixo grau.

Segundo Chapman, como os resultados indicaram melhoras em sobrevida livre de doença e taxa de resposta com melhor sobrevida global, a sobrevida livre de doença pode agora se tornar um endpoint validado para estudos futuros com terapias-alvo similares em melanoma.

Os pesquisadores planejam testar o vemurafenibe em combinação com outros agentes em pacientes com melanoma avançado. Um estudo de fase I já começou com vemurafenibe e ipilimumabe, que recebeu aprovação do FDA no início do ano.

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