Quando a Força Tarefa de Serviços de Prevenção dos Estados Unidos recomendou, em 2009, que a rotina dos exames de rastreamento de câncer de mama começasse aos 50 anos ao invés dos 40, seguiu-se uma controvérsia sobre os benefícios do rastreamento para o câncer de mama e sobre a qual idade uma mulher deveria fazer sua primeira mamografia.

Agora um novo estudo apresentado no encontro anual da Sociedade de Radiologia da América do Norte, em Chicago, descobriu que as mulheres com idade entre 40 a 49 têm uma taxa elevada de desenvolver câncer de mama, mesmo que não tenham histórico familiar da doença.

Os autores do estudo acreditam que seus resultados suportam a recomendação de que as mamografias anuais devem começar aos 40, que outras organizações como a Sociedade Americana de Câncer e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas também apoiam.

O estudo analisou prontuários de pacientes a partir do banco de dados na clínica Elizabeth Wende Breast Care, em Rochester, Nova York, durante um período de 10 anos. Eles observaram que 1.071 pacientes, entre mais de 6 mil, tinham idade entre 40-49. Destas, 373 pacientes foram rastreadas para câncer de mama.

Os pesquisadores descobriram que 144 daquelas mulheres (39%) tinham um histórico familiar de câncer de mama, enquanto 228 (61%) não tinham, sendo que de uma paciente o histórico era desconhecido.

“Tem havido muita conversa sobre quem deve fazer mamografias, especialmente na faixa etária de 40 anos, e nós observamos que essas mulheres de fato estavam sendo diagnosticadas com câncer de mama”, disse Stamatia Destounis, autor principal do artigo e médico na clinica de cuidados com a mama. “E pior ainda, em muitos casos havia se espalhado para os nódulos linfáticos, o que significa que a detecção precoce é importante.”

Os dados mostraram que o câncer invasivo foi diagnosticado em 64% dos casos sem histórico de câncer na família e 63% com histórico familiar. A taxa do linfonodo metastático foi semelhante, em 29% sem histórico familiar e 31%, com histórico familiar.

“O histórico familiar não parece impactar a taxa de doença invasiva neste grupo de doentes em particular”, disse Destounis. “O que nos leva a crer que as mulheres, mesmo aquelas que não têm história da doença na família, poderiam se beneficiar imensamente se começarem a realizar a mamografia com quarenta e poucos anos.”

Fonte: CNN Health

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