Com o objetivo de capacitar profissionais de enfermagem para detectar o câncer em crianças, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP), a Associação Brasileira de Enfermagem (ABEN) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) se unem para dar continuidade ao projeto Qualifica, que já beneficiou 96% dos enfermeiros da atenção básica em São Bernardo do Campo (SP), onde ocorreu o treinamento piloto.

O próximo passo da ação é realizar a capacitação em diversos municípios do estado de São Paulo, atingindo, assim, 80% dos enfermeiros de atenção básica. A capacitação tem a duração de 8 horas. Realizam-se simulações e apresentações de vídeos sobre a consulta de enfermagem – cujo exame físico é focado nos sinais e sintomas característicos e na realização do teste do reflexo vermelho –, aprendendo a identificar os principais sintomas e a realizar o encaminhamento dos casos suspeitos.

A ideia do projeto surgiu da necessidade de desenvolver uma estratégia, envolvendo a equipe de enfermagem, para contribuir com a melhora da curva de sobrevida do câncer na infância e na adolescência. Hoje, o câncer é a principal causa de morte por doença de crianças e adolescentes dos 5 aos 19 anos. Dados comprovam que os países desenvolvidos atingem cerca de 70% de cura, enquanto no Brasil a marca atingida é de aproximadamente 50%.

“Até os cinco anos de idade, por exemplo, pode aparecer o retinoblastoma, que é o tumor ocular mais comum na infância e que tem, aproximadamente, 98% da chance de cura, se detectado precocemente”, relata Ana Lygia Melaragno, enfermeira, especialista em oncologia e presidente do Comitê de Enfermagem da Sobope. “O teste do reflexo vermelho no olho da criança, evidenciando a leucocoria – que é um dos procedimentos reforçados nas aulas do projeto, deve fazer parte da consulta de enfermagem. ” Por fim, Ana Lygia comenta que os enfermeiros de atenção básica e das outras especialidades devem estar mais próximos para otimizar os recursos existentes, reunindo os esforços para a melhoria da assistência. “Câncer em crianças é, infelizmente, uma realidade, e diferentemente da doença em adultos, não há como realizar programas de prevenção. Entretanto, pode ser curada, mediante o diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado”, finaliza.

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