Pesquisadores descobriram que a má higiene oral pode ser associada a um risco aumentado de câncer e morte prematura.

Entre os adultos saudáveis na Suécia, o acúmulo de placa aumentou o risco relativo de morte prematura em 79% (OR 1,79 IC 95% 1,01-3,19, P = 0,048), reportaram Birgitta Söder e seus colegas do Karolinska Institutet, em Huddinge, Suécia, ao BMJ Open. Segundo os autores, a descoberta sugere que o aumento da placa e as toxinas e enzimas associadas podem ser liberadas e entrar na corrente sanguínea através do sulco gengival, aumentando o risco de doenças malignas.

Em 1985, Söder e seus colegas iniciaram um estudo longitudinal de 1.390 adultos suecos saudáveis, escolhidos aleatoriamente, com idades entre 30 e 40 anos, que não tinham sinais de periodontite no início do estudo. Os participantes foram acompanhados até 2009 com exames periódicos, incluindo tabagismo e saúde bucal.

As medidas da placa dentária foram tomadas no início e em 1996, 1998, 2000, 2001 e 2009. Durante o período de estudo de 24 anos, 58 pacientes morreram, incluindo 35 mortes por neoplasias malignas.

Os pacientes que ainda estavam vivos ao final do follow-up tiveram um índice de placa dentária significativamente menor do que aqueles que morreram (0,66 contra 0,87, P = 0,001).

Após análise de regressão logística múltipla, Söder e seus colegas descobriram que a idade, o gênero masculino, bem como a quantidade de placa bacteriana foram os principais preditores independentes da mortalidade no follow-up. A idade e o sexo masculino quase duplicaram o risco de morrer prematuramente – OR 1,98 (95% CI 1,11-3,54, P = 0,022) e 1,91 (IC 95% 1,05-3,46, P = 0,034). Eles acrescentaram que houve diferenças estatisticamente significativas entre os pacientes vivos e mortos “em relação à quantidade de placa bacteriana, inflamação gengival e cálculo dentário, indicando uma situação dentária significativamente pior nos indivíduos que morreram quando comparado com os sobreviventes.”

As hipóteses levantadas ainda necessitam de estudos adicionais para determinar se a relação causal pode ser derivada a partir da associação entre má higiene oral e a mortalidade por câncer.

O estudo foi financiado pelo Ministério da Saúde e Assuntos Sociais da Suécia, pelo Karolinska Institutet, pela Sociedade Médica finlandesa, e pelo Hospital Central de Helsinque. Os autores declararam ausência de conflitos de interesse.

Fonte: Medpage Today

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