As sessões plenárias da 50a Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) tiveram como destaque quatro ensaios clínicos de fase III em mama, próstata e colorretal, todos produtos de financiamento, mesmo que em parte, do governo federal norte-americano. Esses estudos possuíam potencial de impactar o atendimento ao paciente, revelando novas maneiras de aumentar a eficácia da terapia do câncer. Os resultados, no entanto, não foram o esperado.

O tão aguardado resultado do estudo de fase III ALTTO (adjuvante Lapatinib e/ou tratamento com trastuzumabe), sugere que o tratamento pós-operatório, com a combinação de duas drogas alvo-HER2 – trastuzumabe e lapatinibe, não é mais eficaz do que o tratamento padrão com trastuzumabe em mulheres com câncer de mama precoce HER2-positivo. No estudo, os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de tratamento, em quatro anos de sobrevida livre de doença, que variou entre 86% e 88%.

“Fomos encorajados a ver que a maioria dos pacientes com câncer de mama precoce HER2-positivo estão indo bem com a terapia padrão trastuzumabe,” disse o autor sênior do estudo Edith A. Perez, vice diretor do Mayo Clinic Cancer Center, na Florida. “Mas ficamos surpresos pelo fato de a adição de lapatinibe não ter fornecido benefício adicional, uma vez que a combinação dessas drogas foi promissora quando utilizada antes da cirurgia em um estudo menor. Uma lição fundamental desse resultado é que precisamos de ensaios clínicos robustos em ambientes específicos da doença para avaliar plenamente e entender o valor dos novos regimes de tratamento.”

Outro resultado polêmico foi o estudo fase III que demonstrou que o tratamento em primeira linha de bevacizumabe associado a quimioterapia e de cetuximabe associado a quimioterapia são equivalentes em termos de sobrevida para pacientes com câncer colorretal metastático e sem mutações KRAS. No estudo, a sobrevida global média foi de cerca de 29 meses, com ambas as terapias. O estudo completo, com a análise dos resultados em pacientes com mutação KRAS deverá ser divulgado no começo de 2015 na ASCO GI.

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