Nova abordagem usa anticorpos para destruir células-tronco do sangue de camundongos sem necessidade de quimio ou radioterapia

O transplante de medula óssea tem salvado vidas desde que começou a ser usado amplamente na medicina para várias doenças, mas tem seus efeitos colaterais. Pesquisadores da Stanford University School of Medicine desenvolveram uma forma de tratamento capaz de reduzir a toxicidade do transplante em camundongos.

Caso se mostre seguro e eficaz também em humanos, a técnica poderá elevar a recomendação do transplante estendendo-o para tratar doenças autoimunes como lupus e esclerose múltipla, desordens metabólicas e mais tipos de câncer, além de poder usado para transplantes de órgãos de maneira geral.

Hoje, para que o transplante de medula óssea seja feito com sucesso, é preciso primeiramente matar a população de células-tronco sanguíneas do paciente usando quimio ou radioterapia, abordagens agressivas que podem produzir efeitos colaterais e impactar negativamente vários órgãos e funções do organismo.

No estudo, publicado na Science Translational Medicine, essa etapa foi descartada com o uso de uma combinação de anticorpos  que atacam somente as células-tronco da medula, agindo sobre a proteína c-kit da superfície dessas células, e antagonistas CD47.

Hematoxilina e eosina em uma secção de medula óssea de camundognos tratados por 7 dias com ACK2 e CV1mb-em comparação com animais tratados com ACK2 isoladamente.

Hematoxilina e eosina em uma seção de medula óssea de camundongos tratados por 7 dias com ACK2 e CV1mb em comparação com animais tratados com ACK2 isoladamente.

 

A nova estratégia destruiu efeticamente as células-tronco hematopoiéticas dos camundongos, abrindo caminho para o transplante de medula e um novo sistema imune. Para o trasplante, os pesquisadores purificaram a doação de medula elimindando as células do sistema imune que poderiam gerar rejeição.

O sucesso da experiência abre caminho para que a técnica seja testada também em humanos. “Se funcionar em humanos como nos animais, esperamos que o risco de morte pelo transplante de medula caia de cerca de 20% para quase zero”, diz a líder da pesquisa Judith Shizuru.

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