Estudo identifica caminho celular que bloqueia ação da imunoterapia em alguns tumores de bexiga

Uma nova pesquisa publicada na Nature Communications,  pode explicar a razão pela qual a imunoterapia não tem se mostrado eficaz contra alguns tipos de câncer de bexiga. A hipótese é de que isso acontece porque o tumor apresenta um mecanismo específico, descrito pelo estudo, que impede a chegada dessas células.

“Tem sido um mistério como os tumores escapam do sistema imune”, diz Mads Daugaard, professor de urologia e pesquisador do Vancouver Prostate Centre and Vancouver Coastal Health Research Institute (VCHRI). “identificamos os sinais celulares que regulam a infiltração do sistema imune no tumor.”

Hoje existe apenas uma linha de quimioterapia disponível para o câncer de bexiga, a base de cisplatina. A imunoterapia é recomendada como segunda linha para tumores resistentes. Mas estudos recentes têm apontado que o uso do tratamento, com o inibidor de PDL-1 Atezolizumab não tem resultado em melhora de sobrevida global em comparação com a quimioterapia. Apenas um em cada cinco pacientes tratados com a droga apresentam resposta objetiva.

No estudo, os pesquisadores observaram que alguns tumores invasivos de bexiga bloqueiam o sistema imune ativando o caminho celular dos receptores ativados por proliferador de peroxissoma, conhecidos como PPAR (Peroxisome proliferatoractivated receptor).

“Através desse mecanismo, os tumores fecham a porta ao sistema imune. Sem as células do sistema imune no tumor, a imunoterapia não tem efeito. Agora sabemos que porta o tumor fecha e então poderemos focar nossos esforços em abrir essa porta e deixar o sistema imune entrar”, explica Daugaard.

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.