De mama a colorretal, de câncer no cérebro a outros tipos mais raros, cada tipo de câncer está relacionado com outros, com base em mutações genéticas compartilhadas.

Com o avanço da tecnologia genética, a quantidade de informação genética para ser classificada pelos pesquisadores é enorme. O genoma humano contém vários terabytes de informação genética, e o câncer é causado por mais de uma mutação. O tipo comum de câncer pode ter entre 65 e 75 mutações separadas, podendo chegar a mais de 100, o que torna sua identificação a partir das propriedades genéticas uma tarefa extremamente complexa.

Lewis Frey, professor-assistente de Bioinformática na Universidade de Utah e pesquisador do Huntsman Cancer Institute, criou um software que pode separar rapidamente os dados genéticos e mapear as relações entre certos tipos de câncer com base em sua mutação. A nova tecnologia pode revolucionar a maneira como os tipos de câncer são identificados e tratados.

“Ele analisa vários tipos de câncer e encontra a semelhança entre os genes que são mutantes”, disse Frey. “Assim, as mutações que ocorrem no câncer colorretal também pode ocorrer no câncer de mama, ou em câncer de cérebro.”

Com essa informação, os médicos serão capazes de aplicar medicamentos e tratamentos utilizados em um tipo de câncer para outros tumores relacionados. Isso também pode ser usado para identificar quais os tratamentos indicados para casos raros ou isolados, para os quais nenhuma terapia tenha sido desenvolvida.

“É como o Facebook para o câncer”, disse Frey. E essa denominação não é à toa. Seu software realmente utiliza algoritmos comumente encontrados em redes sociais.

Este mês, Lewis Frey, Mary Edgerton, patologista cirúrgico no MD Anderson Center, da Universidade do Texas, e Stephen Piccolo, da Universidade de Utah, dividiram a autoria de um artigo publicado na revista BMC Medical Genomas sobre este novo sistema.

O custo do sequenciamento genético caiu dramaticamente. O que costumava custar milhões de dólares pode ser feito agora por cerca de 3 a 5 mil dólares. Ainda leva alguns anos antes de Frey poder construir o banco de dados de câncer que possa ser usado a nível clínico. Frey prevê que em cerca de cinco a dez anos as pessoas farão análises genéticas de rotina, realizadas pelos médicos para detectar a propensão de cada um aos mais diversos tipos de câncer. Eventualmente, ele espera que seu programa seja usado como uma enciclopédia de 3-D para identificar tipos de câncer por seu código genético.

Fonte: Deseret News

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