Uma pesquisa apresentada no Congresso anual da Associação Europeia de Urologia mostrou que o risco de os pacientes de câncer de próstata em vigilância ativa abandonarem o acompanhamento é muita alto, o que requer atenção redobrada dos médicos antes de indicar esta opção a seus pacientes.

O estudo, conduzido por pesquisadores de Baden, na Suíça, acompanhou 157 pacientes durante um período de 13 anos. Ao longo desse tempo, 27% dos pacientes não seguiu com o acompanhamento médico, mesmo após diversas tentativas de contato por parte da equipe médica para que eles retornassem aos consultórios para a realização de exames periódicos. O percentual é muito parecido aos 28% de homens mantidos em vigilância ativa que viram a doença evoluir e precisaram de alguma forma definitiva de tratamento.

Como é impossível saber o que aconteceu com os pacientes que abandonaram o monitoramento, o chefe dos pesquisadores, Dr. Lukas Hefermehl, acredita que a pesquisa indica uma necessidade de maior cuidado ao escolher os pacientes indicados à vigilância ativa. “Acreditamos que o ‘fator paciente’ deve ser levado em conta nos futuros protocolos de vigilância ativa”, disse Hefermehl.

Entre os motivos que levam os pacientes a abandonarem os consultórios, os pesquisadores suspeitam que esteja um certo medo das consequências possíveis dos tratamentos caso a doença venha a evoluir, como impotência e incontinência. “É provável que muitos desses homens tenham tido progresso na doença e diversos deles podem até ter morrido por conta do câncer de próstata”, afirmou o chefe do estudo. “Como urologistas, nós temos uma responsabilidade sobre esses pacientes.”

O Congresso da Associação Europeia de Urologia ocorreu em Estocolmo, entre os dias 11 e 15 de abril.

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