Quase 50% do risco de desenvolver câncer de testículo está ligado a questões genéticas. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por cientistas do The Institute of Cancer Research (ICR). O resultado chama a atenção por ser bastante superior ao tradicionalmente verificado em outros tipos de câncer, que costumam ter uma influência genética de apenas 20%.

Para chegar ao resultado, os cientistas analisaram bases de dados suecas e britânicas, somando um total de mais de 10 mil casos de tumores de testículo observados. Com isso, chegaram à conclusão de 49% dos fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença estão ligados a questões hereditárias. “Questões ambientes e comportamentais são as responsáveis pela outra metade”, afirma a doutora Clare Turnbull, uma das chefes da pesquisa.

Apesar disso, o risco está mais ligado a um grande número de pequenas mutações no DNA do que a uma única falha genética de maior impacto. Apenas uma minoria dessas mutações, porém, já são conhecidas e entendidas pelos pesquisadores. “Nossa pesquisa tem uma implicação importante no sentido de apontar que o rastreamento de indivíduos com histórico familiar de câncer de testículo pode ajudar a diagnosticar aqueles com maior risco e ajuda-los a gerenciar esse risco”, diz a doutora Clare. “Mas ainda temos muito trabalho pela frente, para entender uma série de fatores genéticos que causam o câncer testitcular.”

A pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports e foi financiada pela Movember Foundation, o The Institute of Cancer Research e o Cancer Research UK.

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