Um estudo canadense randomizado fase III descobriu que a adição de temozolomida (Temodar) à quimioterapia durante a radioterapia de curta duração, seguida por doses de manutenção mensal de temozolomida, melhorou significativamente a sobrevida de pacientes idosos com glioblastoma, reduzindo o risco de morte em 33%.

Os dados foram apresentados em sessão plenária da Asco. O ensaio é o primeiro a testar a combinação de temozolomida e radioterapia em adultos acima de 65 anos, grupo que responde por metade de todos os pacientes com a doença.

Embora os efeitos colaterais tenham sido ligeiramente maiores entre os pacientes que receberam temozolomida, a qualidade de vida global foi semelhante nos dois grupos de pacientes.

“Apesar de o glioblastoma afetar mais os pacientes mais idosos, não há diretrizes claras para tratar estes doentes”, disse o coautor do estudo James R. Perry, do Centro de pesquisa de Câncer de Cérebro do Odette Cancer and Sunnybrook Health Sciences Centres em Toronto, Canada. “Este estudo fornece a primeira evidência de que a quimioterapia em combinação com um cronograma mais curto de radiação estende significativamente a sobrevivência sem prejuízo para a qualidade de vida. ”

O médico ressaltou a significativamente boa reação dos pacientes ao tratamento. “A combinação teve efeitos colaterais mínimos”, disse. “Os pacientes conseguiram concluir o tratamento facilmente, o que é importante porque normalmente os efeitos do tratamento convencional são pesados e os pacientes precisam de ajuda para se locomover depois das seções de quimio.”

O estudo foi conduzido pelo Trials Canadian Cancer Group (CCTG), com a colaboração da Organização Europeia para a Pesquisa e Tratamento do Câncer (EORTC) e o Radiation Oncology Grupo Trans-Tasmin (TROG). Foram recrutados 562 pacientes acima de 65 anos diagnosticados com glioblastoma.

Os pacientes foram aleatoriamente designados para a terapia de radiação de curta duração com temozolomida concomitante à radioterapia ou isolada.

A combinação de quimio e radioterapia ampliou a sobrevida global mediana de 7,6 meses para 9,3 meses com a terapia de radiação sozinha. Além disso, o crescimento do tumor foi mais lento no grupo que recebeu a temozolomida, com sobrevida livre de progressão mediana de 5,3 meses versus 3,9 meses.
“Embora a diferença na sobrevida média pareça modesta, a temozolomida aumentou significativamente as chances de sobreviver de dois ou três anos”, disse Perry.

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