A lista de efeitos adversos da quimioterapia com cisplatina ganha mais um item. Um estudo publicado na última edição do Journal of Clinical Oncology (JCO) aponta a perda auditiva como consequência de doses cumulativas do medicamento em pacientes que sobreviveram ao câncer de testículo.

A análise envolveu 488 pacientes e é o primeiro estudo a evidenciar esse problema de forma mais abrangente. Os pesquisadores observaram que a perda de audição ocorreu na maioria das frequências testadas (4, 6, 8, 10, e 12 kHz). Também foi identificado que 40% dos pacientes apresentaram tinnitus (zumbido no ouvido).

Embora o estudo tenha sido realizado somente com indivíduos que tiveram câncer de testículo, o autor da pesquisa, Lois B. Travis, da Universidade da Indiana (EUA), acredita que os problemas de audição associado à cisplatina possam ser frequentes também entre pacientes com outros tipos de câncer. O pesquisador aponta que seria importante acompanhar os pacientes tratados com esse tipo de quimioterapia para entender melhor o fenômeno e se ele piora com a idade.

“Nossos resultados mostram a importância de exames de audição nesse grupo de pacientes, especialmente antes e depois do tratamento”, diz Travis. “Os médicos deveriam pelo menos uma vez por ano passar exames de audição para pacientes tratados com cisplatina e indicar a consulta a otorrinos.” O pesquisador diz ainda que os pacientes em tratamento deveriam evitar exposição a ambientes com muito ruído eo uso de medicamentos com efeitos adversos relacionados à audição.

A quimioterapia à base de cisplatina é uma das drogas mais usadas na oncologia. Apesar de ser aplicada há mais de 40 anos, os conhecimentos sobre os efeitos de doses cumulativas da substância sobre a audição é escasso.

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