Caso isolado mostrou sucesso da imunoterapia com manipulação de células T

A imunoterapia, seja por medicamentos ou pela edição genética com CAR-T cells está mudando o tratamento do câncer, especialmente em doenças como de pulmão e hematológicas. Um novo estudo agora trouxe resultados animadores, embora inciais, também para o câncer de mama. Um protocolo experimental conduzido pelo NIH e publicado na Nature Medicine conseguiu remissão total da doença em uma paciente a partir da manipulação das células T.

A abordagem usou células T do próprio organismo de uma paciente com câncer metastático que não havia tido resposta a diversas linhas prévias de tratamento. Essas células foram analisadas e selecionadas aquelas que respondiam ao tumor. Estas foram cultivadas e reintroduzidas no organismo da paciente. Até essa tentativa, nenhuma outra abordagem semelhante havia tido sucesso com o câncer de mama avançado.

A paciente é Judy Perkins, uma americana de 49 anos que teve tumor no seio direito com metástase. As células T selecionadas e reinjetadas em Perkins foram capazes de eliminar as células de câncer espalhadas em seu organismo, que no momento está livre da doença há dois anos.

O caso, no entanto, é particular e a estratégia está longe de se tornar um tratamento na clínica. O oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or pondera que, por enquanto, o estudo é apenas uma prova de conceito. “Claro que ideia de turbinar o sistema imune ex-vivo e reinfundir células já mais preparadas especificamente para o combate do tumor após uma indução com quimioterapia e imunoterapia pode ser promissora, mas muito sofisticada e vai requerer centros muito especializados”, diz. “Certamente teremos uma longa jornada pela frente, mas pode vir a ser uma revolução semelhante à CAR-T cell num futuro.”

 

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.