Rodrigo Frota

Coordenador do programa de Cirurgia Robótica Urológica
da Rede D’Or e responsável pelo programa de Residência Médica em Urologia do Hospital Quinta D’Or

 

O Congresso da Associação Americana de Urologia (AUA) aconteceu em maio em São Francisco (EUA). Na área de uro-oncologia, importantes assuntos tiveram destaque na abordagem clínica e cirúrgica dos tumores de próstata, bexiga e rim.

Em relação à doença prostática de risco intermediário, a vigilância ativa vem ganhando espaço para tumores do grupo 2, Gleason 3+4, com o auxílio cada vez mais frequente de testes genéticos. A abordagem cirúrgica com prostatectomia radical se consolida como passo inicial de um tratamento multimodal para doenças de alto risco, observando que a palavra “cura” deve ser usada com cuidado devido ao aparecimento de elevações de PSA 20-25 depois da cirurgia com diagnóstico de novas metástases.

A abordagem robótica não deixa mais espaço para cirurgia aberta no mercado americano, e a chegada de novas plataformas num curto espaço de tempo aproxima essa realidade para mercados como o brasileiro. O uso do PSA não deve ser desencorajado, embora seja cada vez mais presente a necessidade de marcadores com maior  sensibilidade para diagnósticoe acompanhamento da doença.

O uso do PET PSMA vem solidificando o exame como padrão para acompanhamento de pacientes com elevação de PSA após tratamento inicial com nova tendência de uso para o paciente pré-tratamento, com vários estudos em andamento. O uso do PET FDG para pacientes com câncer de bexiga musculoinvasivo se mostrou útil em detectar linfonodo positivo em pacientes com TC prévia normal, ainda que a sensibilidade do exame para esse propósito seja moderada. por rodrigo frota Coordenador do programa de Cirurgia Robótica Urológica da Rede D’Or e responsável pelo programa de Residência Médica em Urologia do Hospital Quinta D’Or

Durante o encontro da Society of Urologic Oncology (SUO) foi destacada a instilação da mitomicina C intravesical no pós-operatório imediato de pacientes com tumor de bexiga não musculoinvasor, com benefício de redução de 15% de recorrência em cinco anos no paciente de baixo risco e 10% em três anos no paciente de alto risco, quando comparado ao BCG.

A imunoterapia também aparece como nova alternativa no tratamento de segunda linha pós-quimioterapia e nos pacientes inelegíveis à platina. Há vários estudos em andamento com diferentes imunoterápicos(atezolizumabe, pembrolizabe, nivolumabe e durvalumabe) neoadjuvantes parao tumor musculoinvasivo.

As pequenas massas renais estão cada vez mais sendo abordadas com vigilância ativa respeitando sempre critérios relacionados ao paciente (idade, comorbidades etc.) e ao tumor (tamanho e agressividade). A biópsia renal deve ser sempre indicada na suspeita de doença hematológica, infecciosa, inflamatória e metastática. Quando realizada para massa sólida, a core biopsy deve ser preferida em relação à biópsia de agulha fina. Na abordagem cirúrgica da massa renal pequena, a enucleação tumoral com maior preservação de parênquima renal remanescente mostra-se segura e oncologicamente comparável à nefrectomia parcial padrão.

A terapia adjuvante no tumor renal de alto risco mostrou-se negativa em diferentes trials: Assure (sunitinibe e sorafenibe), Protect (pazipanibe) e Atlas (axitinibe), sendo positiva somente no trial S Trac com sunitibe. Sendo assim, a adjuvância no tumor de alto risco não deve ser considerada o padrão de tratamento. Pacientes com esse perfil devem ser identificados, sempre que possível, como candidatos para diferentes trials em andamento.

 


*Reportagem publicada na revista Onco& 39 (Julho-Agosto-Setembro)
Acesse a edição completa aqui.

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