Uma nova pesquisa aponta para dois métodos baseados em genes que podem prever se as mulheres com certos tipos de câncer de mama irão sofrer a recidiva do tumor, e quando será essa recidiva.

Os estudos, que envolvem duas formas comuns de câncer de mama, foram apresentados no 2011 San Antonio Breast Cancer Symposium.

A pesquisa também revelou que os dados genéticos recolhidos de tumores podem ajudar os médicos a elaborar tratamentos individualizados para cada paciente, poupando mulheres com baixo risco da exposição a radiações desnecessárias, por exemplo.

Em um estudo, pesquisadores do Eastern Cooperative Oncology Group, North Central Cancer Treatment Group and Genomic Health descobriram que um teste multigenético pode prever o risco de recidiva entre as mulheres que foram diagnosticadas com carcinoma ductal in situ, ou CDIS (um tipo de crescimento canceroso inicial limitada ao ducto mamário).

Na condução do estudo, os pesquisadores analisaram a informação genética dos tumores de 327 mulheres diagnosticadas com carcinoma ductal in situ para calcular o risco de recidiva. Através da diferenciação entre formas de baixo risco e formas mais agressivas da doença, o “Score DCIS” prevê a probabilidade de recidiva local e pode ajudar os médicos a determinar se as pacientes devem ser tratadas com cirurgia ou uma combinação de cirurgia e radioterapia.

“O Score DCIS irá ajudar os médicos a compreender a biologia subjacente do CDIS para um paciente individual e medir com precisão o risco daquela pessoa,” afirmou Lawrence Solin, presidente do departamento de radição oncológica no Einstein Medical Center, na Filadélfia. “Como resultado, o paciente e o médico poderão decidir sobre o curso adequado de tratamento com base em uma compreensão mais completa dos riscos envolvidos.”

Os especialistas em câncer foram cautelosamente otimistas em relação aos resultados.

“Carcinoma ductal in situ representa o estágio inicial de câncer de mama – células neoplásicas que ainda não romperam a membrana basal dos ductos mamários”, explicou Kerin Adelson, oncologista especializada em câncer de mama no Mount Sinai Medical Center, em Nova Iorque. “Na prática padrão, as mulheres que se submetem a lumpectomia para CDIS são tratadas com radiação para prevenir a recidiva local na mama”, acrescentou.

No entanto, “já é claro há algum tempo que algumas mulheres estão em maior risco de recidiva local do que outras”, disse Adelson. Os novos dados “mostram que o perfil molecular pode ser usado para prever quais casos de CDIS estão em alto risco de recidiva local e quais não. Isto pode poupar as mulheres com menor risco da necessidade de radiação de mama”.

Outro especialista disse que os resultados são “interessantes”, mas tem algumas ressalvas. “Embora os autores afirmem que isso pode ser usado para ajudar a eliminar a radiação em algumas mulheres, nós podemos ainda não estar nessa fase “, disse Stephanie Bernik, chefe de oncologia cirúrgica no Lenox Hill Hospital, em Nova Iorque. “A taxa de recorrência foi ainda 12% no grupo de baixo risco e para muitos médicos e pacientes isso pode não ser aceitável”, disse ela.

Ainda assim, “mesmo que não tenha eliminado a necessidade de radiação, as descobertas deste estudo são extremamente significativas pois teremos mais informações para oferecer aos pacientes sobre seu tipo específico de carcinoma ductal in situ”, fundamenta Bernik. “Os resultados também abrem as portas para estudos adicionais que, eventualmente, nos permitirão evitar tratamento excessivo e subtratamento de CDIS.”

No segundo estudo, pesquisadores da Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center e da Universidade de Edimburgo focaram nas diferenças moleculares em tumores que podem ser usadas ​​para predizer se as mulheres com câncer de mama HR-positivo invasivo apresentarão recorrência da doença e quando. Tumores HR-positivos são influenciados pelo estrogênio.

Os pesquisadores notaram que suas descobertas podem ajudar a explicar por que algumas mulheres experimentam recorrência deste tipo de câncer de mama até 10 anos ou mais após o diagnóstico original.

“Nós confirmamos o que muitos já suspeitavam,” disse Minetta Liu, professora associada de medicina e oncologia e diretora de pesquisa translacional do câncer de mama no Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center. “Há fatores biológicos que definem – no momento do desenvolvimento do tumor – se o câncer de mama deve se repetir cedo, tarde ou não irá se repetir. Agora, precisamos validar esses resultados e levar o nosso conhecimento para a próxima etapa.”

No estudo, os pesquisadores identificaram padrões de expressão gênica entre amostras de tumores que estavam fortemente ligados ao desenvolvimento de doença metastática mais tarde.

“Há claras diferenças biológicas dentro do grupo supostamente unificado de receptor hormonal (HR)-positivo de câncer de mama, e essas diferenças distinguem os subtipos em relação ao tempo em que eles devem acontecer”, disse Liu. “Entender o que impulsiona essas distinções nos permitirá individualizar o tratamento e melhorar os resultados do paciente.”

Bernik e Adelson concordam que estes tipos de testes podem ser uma tendência no futuro.

“Há muito tempo sabe-se que os tumores nem sempre se comportam como se poderia prever,” observou Bernik. “Às vezes, os tumores com características agressivas são completamente erradicados, e em outras vezes, tumores que às vezes pensamos ser menos ameaçadores causam doença metastática anos mais tarde. Quando analisamos os cânceres em um nível molecular, estamos olhando para a mecânica  do que faz uma célula funcionar e crescer. Isto é, em última análise, uma forma de descobrir como desligar a máquina que impulsiona a célula a se dividir, crescer e se espalhar “, disse ela.

Adelson concordou, dizendo que testes como os definidos pela equipe de Georgetown “podem ​​ajudar a personalizar o tratamento do câncer para o risco de um paciente individual.”

Especialistas alertam que as informações apresentadas em reuniões médicas devem ser consideradas preliminares até serem publicadas em uma revista científica.

Fonte: HealthDay

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