Estudo identificou novo biomarcador para a doença e usou anticorpo conjugado a droga

Um estudo clínico apresentado hoje na Asco traz resultados iniciais promissores para o tratamento de câncer de pulmão de pequenas células com uso de imunoterapia. O tratamento testado usou um novo anticorpo conjugado à droga, o rovalpituzumab tesirine (Rova-T), que freou o crescimento de tumores em 89% e os reduziu 39% em pacientes com altos níveis de DLL3, um novo biomarcador identificado pelo grupo de pesquisa.

O conjugado combina um anticorpo anti-DLL3 e um agente anticâncer, pyrrolobenzodiazepine. O anticorpo serve para entregar o agente anticâncer às células tumorais. O estudo, de fase I, contou com 74 pacientes com câncer de pulmão de pequenas células que não responderam a tratamentos anteriores. Desses, cerca de dois terços tinham doença já avançada quando do diagnóstico e os demais apresentavam doença de estágio limitado.

Os pesquisadores mediram os níveis da proteína DLL3 quando tinham amostras de tecido disponíveis. O DLL3 é responsável por regular as células tronco tumorais nesse tipo de câncer. O composto testado é o primeiro a ter por alvo essa proteína.

Do total de pacientes estudados, 26 mostraram ter altos níveis de DLL3 no tumor, 10 (39%) responderam ao novo composto e tiveram uma sobrevida média de 5,8 meses; 32% mostraram sobrevida de 1 ano. Desse grupo, 12 pacientes responderam particularmente bem, com redução de 50% do tumor.

“Vimos poucos sucessos em relação ao tratamento do câncer de pulmão de pequenas células nos últimos anos, o que faz nossos resultados preliminares bem entusiasmantes”, disse em conferência de imprensa o líder do estudo, Charles M. Rudin, oncologista chefe do serviço de oncologia torácica do Memorial Sloan Kettering Cancer Center em Nova Iorque.

O pesquisador explicou à Revista Onco& que a dificuldade de obter bons resultados para o câncer de pulmão de pequenas células se deve principalmente à complexidade em identificar os alvos moleculares para o tratamento. Os protocolos de imunoterapia aplicados hoje na clínica para doença usam como alvo a proteína PD1 com as drogas Nivolumabe (Opdivo) e pembrolizumabe (Keytruda).

O especialista em câncer de pulmão Carlos Gil Ferreira, do Grupo Oncologia D’Or, comemora os resultados e destaca a relevância de novos tratamentos para a doença. “Depois de décadas, parece que vamos avançar no tratamento desse tipo de câncer de pulmão, uma doença muito relevante, que está diretamente ligada ao tabagismo e, no Brasil, tem incidência de cerca de 10% segundo dados do nosso grupo. ”

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