Um estudo randomizado fase III do Children’s Oncology Group mostra que um regime com altas doses de metotrexato é superior ao regime padrão de aumento crescente de metotrexato para crianças e jovens com alto risco de leucemia linfoblástica aguda de células B precursoras. Esse regime melhorou a mediana de sobrevida livre de doença em cinco anos e não teve efeitos colaterais significativos se comparados ao regime padrão. Esse estudo estabelece um novo padrão de tratamento para esses pacientes.

O estudo foi divulgado hoje na 47º edição do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, nos EUA.

“LLA pediátrica era antes uma forma mortal de leucemia, e hoje é uma das mais curáveis. Esse estudo nos ajuda a resolver uma necessidade importante dos pacientes com essa doença. Com esses resultados, nós agora temos uma abordagem que elevará ainda mais os índices de cura”, disse Eric Larsen, principal investigador do estudo e diretor do programa de câncer do Maine Children’s Hospital e da divisão de Hematologia/Oncologia Pediátrica no Barbara Bush Children’s Hospital no Maine Medical Center. “Baseada nessas descobertas todos os protocolos de tratamento, atuais e futuros, para crianças com LLA de célula B-precursora de alto risco, usarão esse regime.”

O metotrexato tem sido um componente essencial no tratamento de crianças com LLA por mais de 50 anos, mas a dose e a frequência ótimas têm sido fonte de debate e pesquisa clínica. O aumento do metotrexato intravenoso seguido por uma segunda droga quimioterápica chamada asparaginase (juntos conhecidos como o regime Capizzi) tem sido um tratamento padrão eficaz para LLA por aproximadamente duas décadas. Essa abordagem envolve um início em dose baixa de metotrexato com gradual aumento, dependendo da tolerância do paciente.

O regime de aumento do metotrexato levou a melhora nos índices de cura para LLA ao diminuir recidivas em medula óssea, onde a doença inicialmente ocorre. As taxas de recidiva no sistema nervoso central (SNC) não diminuíram tão significativamente, representando uma necessidade contínua de melhores opções de tratamento. Para reduzir recidivas no SNC, esse estudo testou o regime metotrexato, que administra uma dose correspondente a 50 vezes a dose inicial do regime de aumento. O esquema de alta dose tem um potencial maior para alcançar células tumorais no SNC.

Um estudo fase III randomizou 2.426 pacientes com idades entre 1 e 30 anos com LLA de células B-precursoras de alto risco a metotrexato de alta dose versus metotrexato de aumento gradual mais asparaginase por um ínterim de manutenção de dois meses da terapia seguindo quimioterapia padrão de indução e consolidação. Numa análise do ínterim planejado, a sobrevida livre de doença em cinco anos para pacientes que receberam o metotrexato de alta dose foi de 82%, comparados a 75% para pacientes no regime de metotrexato de aumento gradual. Também houve um número significativamente menor de recidivas em medula óssea e SNC no grupo de alta dose. Participação foi interrompida como resultado, e certos pacientes foram elegíveis para então receber o regime de alta dose de metotrexato.

Os investigadores preocuparam-se inicialmente com os efeitos colaterais no grupo submetido ao regime de alta dose, mas tais pacientes tiveram menor incidência de neutropenia febril que aqueles no regime padrão. Não houve diferença em outras toxicidades significativas.

O aumento dos custos envolvidos no regime de alta dose ainda estão sob análise. Embora seja utilizada uma quantidade maior da droga no novo regime, pacientes em tratamento com metotrexato Capizzi apresentam mais episódios de neutropenia febril e, consequentemente, de internações hospitalares. Segundo Larsen, espera-se que em breve o novo tratamento seja incluído nas diretrizes de tratamento de LLA.

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