O tratamento standard para o glioblastoma sem metilação no MGMT é a quimioterapia primária com temozolomida (TMZ). Sua eficácia, no entanto, é moderada. Este ano a ASCO  trouxe alguns estudos de fase II e III que buscam suprir a necessidade de terapias mais eficazes para glioblastoma, com ou sem metilacão no MGMT. No estudo GLARIUS, Ulrich Herrlinger, da Universidade de Bonn, na Alemanha, mostrou que Bevacizumaba (BEV) + Irinotecano (IRI) reduziu o risco de progressão em 70%, e foi superior à terapia padrão.

GLARIUS foi um estudo de fase II em que 182 pacientes com glioblastoma-MGMT não metilado foram aleatoriamente distribuídos numa proporção de 2:1 para receber BEV/IRI (116 pacientes) ou TMZ (54 pacientes). Todos os pacientes receberam radioterapia na dose padrão, durante 6 semanas. Pacientes no braço BEV/IRI receberam quatro ciclos de BEV mais 6 semanas de radioterapia e, em seguida, BEV/IRI a cada 2 semanas até a progressão da doença. Os pacientes do braço de TMZ receberam 6 cursos de TMZ. O endpoint primário do estudo foi a sobrevida livre de progressão (PFS), e os endpoints secundários incluíram a sobrevivência global (OS), o uso de esteróides e a toxicidade.

Seis meses após a randomização, a sobrevida livre de progressão foi significativamente maior entre os pacientes que receberam BEV/IRI (9,74 meses vs 5,99 meses para TMZ, hazard ratio [HR] 0,30, CI [0,19, 0,48] 95%, p <0,0001). Para o endpoint secundário, a sobrevida global foi maior para os pacientes que recebem BEV/IRI (16,6 meses vs 14,8 meses para TMZ, HR 0,60, CI 95% [0,37, 0,96], p = 0,031). O uso de esteróides também foi menor em pacientes que receberam BEV/IRI. Após a progressão, os pacientes foram autorizados a migrar para o braço BEV/IRI do estudo. Dos 46 pacientes cuja doença progrediu em TMZ, 29 passaram para o braço BEV/IRI (63%). Com relação aos eventos adversos de grau 3/4, maiores taxas de eventos vasculares graves ocorreram com BEV/IRI e taxas mais elevadas de hematoxicidade  grave ocorreram com TMZ.

Estudo CENTRIC não comprova superioridade sobre terapia padrão para Glioblastoma com metilação MGMT

Coordenado por Roger Stupp, diretor do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Lausanne Medical Center (CHUV), na Suica, o estudo CENTRIC, multicêntrico, randomizado, controlado, aberto, de fase III randomizou (1:1)  pacientes adultos com diagnóstico recente de glioblastoma supratentorial histologicamente comprovado (grau IV) e metilação de MGMT. O estudo procurou avaliar a eficácia da adição de Cilengitide (CIL), um inibidor de integrina seletiva αvβ3 and αvβ5, ao tratamento standard de temozolomida (TMZ) e radioterapia (RT).

Os pacientes de um braço do estudo receberam 2000 mg de Cilengitide intravenoso duas vezes por semana mais o tratamento padrão TMZ/RT → TMZ (272 pacientes, 54% homens e 42% com ECOG-PS ≥ 1). O outro braço recebeu apenas o tratamento padrão TMZ/RT → TMZ (273 pacientes, 52% do sexo masculino e 44% com ECOG-PS ≥ 1). 75% dos pacientes de ambos os braços tinham ≥ 50 anos de idade. O tratamento foi administrado por ≥ 18 meses, até a progressão da doença ou toxicidade inaceitável. O endpoint primário foi a sobrevida global (OS). A sobrevida livre de progressão foi o endpoint secundário.

No geral, as características basais foram bem equilibradas entre os braços de tratamento. A mediana de sobrevida global foi de 26,3 meses nos dois braços (Hazard Ratio [HR] = 1,02 [CI 95%: 0,81-1,29], p = 0,86). Já a mediana da sobrevida livre de progressão (PFS) foi de 13,5 meses no braço CIL e 10,7 meses no braço de controle (HR = 0,93 [CI 95%: 0,76-1,14], p = 0,48). O tratamento foi bem tolerado e o perfil de segurança conhecido do CIL foi confirmado.

Embora a combinação tenha sido associada com uma maior sobrevida livre de progressão (PFS), o CENTRIC não conseguiu demonstrar superioridade na sobrevida global dos pacientes, endpoint primário do estudo.

Informações do ensaio clínico: NCT00689221.

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