Mulheres com câncer de mama metastático têm mais opções de tratamento da doença e mais alternativas na prevenção de eventos ósseos – esse é um breve resumo das atualizações feitas em câncer de mama nas diretrizes para prática clínica em oncologia, organizada pelo National Comprehensive Cancer Network. O presidente do painel de câncer de mama Robert W. Carlson apresentou essa e outras novidades na conferência anual da entidade, em início de março.

A eribulina (Halaven™, Eisai Inc.) foi acrescentada às diretrizes do NCCN como a opção de agente único de preferência para tratamento de doença metastática, enfatizou Carlson. Com base em resultados de um estudo fase 3, a droga foi aprovada pelo FDA para tratamento câncer de mama metastático em pacientes que receberam pelo menos dois regimes anteriores de quimioterapia para doença avançada. O estudo mostrou que a eribulina proporcionou melhora estatisticamente significativa da sobrevida global em pacientes com câncer de mama metastático previamente tratadas com uma antraciclina e um taxano.

“Considerando as limitadas opções para mulheres com câncer de mama metastático que já haviam recebido outras terapias, essa é uma opção de tratamento digna de nota, que o painel acredita ser importante para incorporar às diretrizes”, disse Carlson.

Para pacientes de câncer de mama em metástase óssea, as diretrizes atualizadas agora incluem denosumabe (XGEVA™, Amgen) como opção para prevenção de eventos relacionados ao esqueleto, como fraturas e dores nos ossos. Denosumabe foi aprovado pelo FDA depois que resultados de um estudo comparativo entre denosumabe e ácido zoledrônico (Zometa®, Novartis Oncology) concluiu que o primeiro era pelo menos tão eficaz quanto o segundo na prevenção de eventos relacionados ao esqueleto.

“Complicações esqueléticas como resultado de metastases ósseas podem ser uma grande fonte de dor e diminuir significativamente a qualidade de vida de um paciente de câncer”, explicou.

Dr. Carlson enfatizou também a importância dos biomarcadores como fatores preditivos essenciais nos resultados do câncer, principalmente de mama.

“Ao identificar a presença de biomarcadores em tumores mamários, profissionais de saúde são mais capazes de prescrever tratamentos efetivos e personalizados com maiores chances de resultados positivos para os pacientes”, afirmou.

Três biomarcadores têm sido historicamente usados no tratamento do câncer de mama: receptor de estrógeno, receptor de progesterona e HER2. Esses marcadores têm sido um guia confiável para tratamento e bons preditivos dos resultados do câncer de mama; porém, vários novos biomarcadores, como o genótipo CYP 2D6 para determinar a eficácia do tamoxifeno (Soltamox™, AstraZeneca Pharmaceuticals, LP), também estão sendo extensivamente estudados.

“A eficácia da terapia do tamoxifeno para tratamento do câncer de mama varia muito entre indivíduos, o que tem levado a vários estudos para tentar determinar se há uma associação entre o genótipo CYP 2D6 e a eficácia do tamoxifeno na prevenção da recorrência do câncer de mama”, disse Carlson.

O presidente também destacou que o painel das diretrizes do NCCN acredita que os estudos disponíveis examinando CYP 2D6 são inconsistentes e, portanto, não recomendou o teste de rotina para o genótipo.

Carlson também revisou a pesquisa e evidência que levou à decisão do NCCN de reafirmar sua recomendação de bevacizumabe em combinação com paclitaxel como opção terapêutica apropriada para câncer de mama metastático.

Os achados no primeiro estudo amplo e randomizado de bevacizumabe em combinação com paclitaxel demonstrou uma melhora no controle e resposta da doença, mas não houve vantagem de sobrevida comparada a apenas quimioterapia. Isso levou à aprovação do FDA tanto da combinação, quanto da inclusão da combinação às diretrizes do NCCN. Vários estudos adicionais posteriores também demonstraram uma pequena vantagem no controle da doença com bevacizumabe em combinação com quimioterapia, mas não houve ganho de sobrevida. Com base nesses estudos, o painel continua a incluir a combinação de bevacizumabe e paclitaxel como opção. O painel apoia menos outros agentes quimuiterápicos com bevacizumabe.

O painel também revisou as notas de rodapé relacionadas, que agora dizem: “Estudos clínicos randomizados em câncer de mama metastárico documentam que a adição de bevacizumabe a alguns agentes quimioterápicos de primeira ou segunda linha melhoram modestamente o tempo de progressão e as taxas de resposta, mas não melhoram sobrevida global. O impacto do tempo de progressão pode variar entre agentes citotóxicos e aparece em seu grau máximo com bevacizumabe em combinação com paclitaxel semanal.”

Fonte: NCCN

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