O mieloma múltiplo é uma forma de câncer onde as células plasmáticas na medula óssea crescem fora de controle, causando danos aos ossos, bem como maior predisposição às infecções, anemia e insuficiência renal. Um procedimento médico chamado transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas, comumente conhecido como transplante de células-tronco, é frequentemente uma importante opção de tratamento para muitos pacientes.

Infelizmente, o mieloma múltiplo continua a progredir mesmo após um transplante. Estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine traz notícias promissoras sobre o uso da lenalidomida como terapia de longo prazo, que pode ser utilizada após o transplante para desacelerar a progressão da doença.

Thomas Shea, diretor do Programa de Medula Óssea e Transplante de Células-tronco, e diretor associado para os Programas de Extensão da UNC Lineberger, ao lado de Don Gabriel,professor de Medicina na Divisão de Hematologia/Oncologia da mesma instituição são os co-autores do ensaio clínico que mede o efeito da terapia de manutenção com lenalidomida em progressão livre de doença após o transplante.

O estudo de fase 3 mostrou que a terapia de manutenção com a lenalidomida, um medicamento oral que pode ser tomado por meses ou mesmo anos, está associada com uma melhora significativa nos resultados para os pacientes recém-diagnosticados com mieloma que se submeteram a um transplante. A probabilidade de sobrevivência livre de progressão da doença (o ponto final primário) durante três anos foi de 59% no grupo da lenalidomida, em comparação com 35% no grupo que recebeu o placebo.

“Os resultados deste estudo vão mudar nosso tratamento de doentes com mieloma múltiplo”, disse Shea.

“A lenalidomida tem alguns riscos, incluindo um aumento do desenvolvimento de cânceres secundários, mas geralmente parece ser bem tolerada quando administrada por longo prazo e foi associada a um atraso no tempo de progressão do mieloma, bem como a uma melhoria na sobrevivência global”, acrescentou.

Shea notou que outro estudo, na França, mostrou uma melhoria semelhante em retardar a progressão do mieloma após o transplante, mas não aumentou o tempo de vida desses pacientes após o transplante em comparação com os que receberam placebo. Estudos adicionais precisam ser realizados e maior tempo de acompanhamento dos estudos atuais são necessários para confirmar se há um benefício real de sobrevivência da terapêutica com lenalidomida para estes pacientes.

O estudo norte-americano foi apoiado pelo National Cancer Institute. A farmacêutica Celgene forneceu a lenalidomida e o placebo utilizados neste estudo.

O texto foi reproduzido a partir de materiais fornecidos pela University of North Carolina School of Medicine.

Fonte: ScienceDaily

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