O Gastrocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciou um novo procedimento para o tratamento da fase inicial do câncer gástrico. Importada do Japão, a nova técnica consiste em uma dissecção submucósica do tumor, sem a necessidade da retirada do órgão ou parte dele.

A vantagem é o baixo risco de complicações e um índice de mortalidade próximo ao zero, afirma o médico José Olympio Meirelles, um dos responsáveis pela implantação do procedimento. “É muito raro a pessoa morrer. A grande vantagem é, nos casos precoces, fazer uma retirada curativa. O risco de complicação em cirurgias com retirada de partes ou órgãos é bem maior do que neste tipo de procedimento. O paciente tem uma evolução ótima, você faz num dia e, muitas vezes, no outro ele já pode estar em casa”, explicou.

A nova técnica, testada com sucesso em 17 pacientes, foi obtida graças à parceria entre a Unicamp e o Centro Nacional de Câncer (National Cancer Center), vinculado à Universidade de Tóquio, no Japão. Ela pode ser utilizada em vários órgãos do aparelho digestivo, como esôfago, estômago e cólon.

Ainda de acordo com o endocrinologista José Olympio Meirelles, que atua no Gastrocentro, o procedimento só pode ser desenvolvido quando o câncer está na sua fase inicial, sem metástase. “Nesse caso, com essa nova técnica, você tem condição de tirá-lo sem ter que cortar o órgão. Você estará ao mesmo tempo evitando uma cirurgia e curando o paciente”, explica. “O grande prazer do médico é justamente oferecer um tratamento que vai curar o paciente com o mínimo de sofrimento possível”, comemora.

O procedimento é realizado por poucos hospitais do país, atualmente. “Nós fomos aprender essa técnica no Japão. A partir de então, criou-se a estrutura de materiais e aparelhos para fazer isso aqui no Gastrocentro. É importante ressaltar nosso histórico de parcerias com o Japão, mais especificamente com a Japan International Cooperation Agency (JICA)”, contextualiza Olympio. Além dele, participaram no desenvolvimento do novo procedimento, o coordenador do Gastrocentro, Cláudio Saddy Rodrigues Coy; e Ciro Garcia Montes, endocrinologista do órgão.

Fonte: Unicamp

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