Pesquisadores criaram um conjunto de modelos estatísticos com precisão de mais de 70% para prever o risco de desenvolvimento de linfedema no período de cinco anos após a cirurgia para remoção dos linfonodos do câncer de mama.

Enquanto continuam se aperfeiçoando, os modelos eventualmente podem se tornar uma ferramenta útil para a tomada de decisões dos médicos. Este é o maior estudo já realizado sobre a perspectiva de ocorrência de linfedema, e estas descobertas têm implicações importantes, pois atualmente é muito difícil prever quais pacientes com câncer de mama irão desenvolver esse efeito colateral cirúrgico.

Em pacientes com câncer de mama, o linfedema é um inchaço debaixo do braço caracterizado pela retenção de líquidos localizada e inchaço dos tecidos. Podem ocorrer após a cirurgia de linfonodo, muitas vezes necessária se o câncer se espalhou para os nódulos linfáticos. Pode ser uma condição crônica, incapacitante e afeta cerca de um terço dos pacientes que realizam a cirurgia axilar – cerca de 4 milhões de pacientes em todo o mundo.

Liderados por José Bevilacqua, cirurgião oncológico no Hospital Sírio Libânes, em São Paulo, os pesquisadores estudaram 1.054 mulheres com câncer de mama submetidas à dissecção axilar entre 2001 e 2002. A incidência geral de linfedema no grupo, no período de cinco anos, foi de 30,3%.

Usando uma variedade de fatores clínicos, incluindo idade, índice de massa corporal, ipsilateral (do mesmo lado do corpo), infusões de quimioterapia no braço, nível de dissecção axilar, localização do campo de radioterapia, desenvolvimento de seroma no pós-operatório (acúmulo de líquido), infecção e edema precoce (inchaço), os pesquisadores desenvolveram três modelos e seus nomogramas correspondentes (representação gráfica de um modelo matemático) para prever o risco de desenvolver linfedema em diferentes pontos no período pós-cirúrgico:

No modelo 1, a meta era prever o risco de linfedema antes da cirurgia. Considerou fatores como idade, índice de massa corporal e o número de ciclos de quimioterapia realizados antes da cirurgia.

Para o modelo 2, dentro de seis meses de ter a cirurgia, estes mesmos preditores foram utilizados juntamente com a extensão da dissecção axilar e da localização do campo de radioterapia.

O modelo 3 teve como objetivo prever o risco de linfedema seis meses ou mais após a cirurgia. Considerou os mesmos fatores de risco do modelo 2, mais o desenvolvimento do acúmulo de líquidos e o inchaço.

Os pesquisadores compararam as previsões dos modelos com a atual ocorrência do linfedema neste grupo de mulheres e descobriram “índices de concordância” de 0,706, 0,729 e 0,736, respectivamente, para os modelos 1, 2 e 3, o que significa que os modelos previram corretamente o paciente que poderia desenvolver linfedema mais do que 70%.

“Esses modelos tiveram um bom desempenho,” disse Bevilacqua. “Os modelos estatísticos e os nomogramas correspondentes utilizaram os fatores clínicos disponíveis e permitiram a estimativa rápida e fácil de riscos individuais de desenvolvimento de linfedema após a cirurgia axilar em mulheres com câncer de mama. Para efeito de comparação, estas ferramentas de modelagem são tão precisas para prever o risco de uma mulher desenvolver linfedema como a mamografia é para a detecção de câncer de mama.”

Bevilacqua sugeriu que os modelos pode se tornar uma ferramenta útil para a tomada de decisões, ajudando médicos a escolher em quais casos a dissecção axilar deve ou não ser recomendada.  “Saber o risco do linfedema pode ser uma informação importante quando falamos com nossos pacientes sobre a dissecção axilar”.

Os pesquisadores acreditam que este é o primeiro modelo para prever o risco de linfedema, e pretendem continuar a desenvolver modelos futuros na esperança de que sejam ainda mais precisos. Estes modelos estão disponíveis online gratuitamente. Até a data, uma ferramenta para calcular o volume do braço já está disponível (www.armvolume.com), enquanto a outra – os modelos para estimar o risco de linfedema – estará disponível após a publicação da revista (www.lymphedemarisk.com), apesar de ser acessível durante o Simpósio de Câncer de mama 2011.

Fonte: www.asco.or

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