Combinação de medicamentos com terapia alvo reduz risco de falha no tratamento de primeira linha e pode se tornar abordagem padrão

Depois de mais de 30 anos, pacientes com linfoma Hodgkin avançado tratados podem ganhar um tratamento mais eficaz. Um estudo divulgado na sessão plenária do ASH 2017, maior evento de hematologia que ocorre esta semana em Atlanta (EUA), mostrou uma redução de 23% no risco de progressão da doença e morte para pacientes tratados com um regime multidrogas com terapia-alvo com brentuximab vedotin (BV) em comparação com aqueles que receberam o tratamento padrão de primeira linha com quatro drogas.

A terapia padrão para a doença, usando adriamycin (doxorubicin), bleomycin, vinblastine e dacarbazine (ABVD) é a mesma desde os anos 1970.

O líder da pesquisa, Joseph Connors, do British Columbia Cancer Agency Centre for Lymphoid Cancer de Vancouver, Canadá.

“Esperamos que o ABVD cure cerca de três quartos dos pacientes, o que significa que um quarto não tem cura hoje. Nesse estudo demonstramos que podemos reduzir essa porcentagem de falha do tratamento”, diz o líder da pesquisa Joseph M. Connors do British Columbia Cancer Agency Centre for Lymphoid Cancer em Vancouver (Canadá). “Se esse regime for adotado, vai mudar a primeira linha para o tratamento do linfoma Hodgkin avançado.”

O estudo contou com 1.334 pacientes previamente tratados para a doença e randomicamente selecionados para receber o tratamento padrão ou a nova terapia. Os participantes foram acompanhados por 50 meses.

Embora o tratamento experimental tenha causado mais dano nervoso, febre e neutropenia, o dano nervoso pôde ser revertido e as taxas de infecções severas se mantiveram em níveis baixos com uso de medicação. “O tratamento experimental com BV teve mais êxito em dar fim à doença e com efeitos adversos controláveis”, disse o pesquisador.

A hematologista Renata Lyrio, do Grupo Oncologia D’Or acredita que a abordagem possa vir a se tornar a abordagem de primeira linha. “O linfoma de Hodgkin em geral tem uma alta chance de cura, mas 30% dos pacientes com doença avançada recaem”, comentou. “Esse estudo evidenciou um sobrevida livre de progressão modificada que favorece em 5 % a nova abordagem. O custo efetividade deve ser levado em conta, mas provavelmente essa abordagem vai se tornar o tratamento padrão.”

 

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Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.