Pacientes com câncer de mama avançado triplo negativo não respondem a terapias alvos e são tratadas com quimioterapia. No entanto, grande parte delas também não responde à quimioterapia e desenvolve resistência às drogas. Pesquisadores do Cancer Center do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) descobriram uma possível estratégia de tratamento que pode oferecer mais esperança a este grupo, que responde por cerca de 20% dos casos de câncer de mama.

Ainda não se sabe o que desencadeia esse tipo de câncer, que não pode ser explicado pelos três principais “motores” de câncer de mama (estrogênio, progesterona e HER2). Mas os cientistas mostraram que as células de câncer de mama triplo negativo aumentam a produção de uma substância chamada pirimidina quando expostas à quimioterapia. Essa substância é parte crucial do DNA, então os pesquisadores acreditam que sua produção seja uma reposta adaptativa que promove a resistência à quimioterapia.

“O que a quimioterapia faz com o câncer triplo negativo é reprogramar a biossíntese de pirimidina, se pudermos inibir essa produção, talvez consigamos fazer com que a quimioterapia tenha mais efeito”, comenta uma dos envolvidos no estudo, Alex Toker.

Para testar a hipótese, os pesquisadores trataram células de câncer de mama triplo negativo com uma combinação de quimioterapia e uma droga bloqueadora de pirimidina. As células cancerígenas reagiram como esperado. Em testes em camundongos, os tumores tratados desta maneira regrediram com a combinação.

Os resultados inspiraram o início de um ensaio clínico que vai testar essa combinação e outras drogas já aprovadas que tenham por alvo a pirimidina.

“Focamos nossa atenção na biossíntese de pirimidina porque queríamos desenvolver uma estratégia que não necessitasse do desenvolvimento de novas drogas”, diz Toker. “Já existe uma droga que inibe uma das enzimas chave nesse processo.”

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