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27/04/2017  | Políticas Públicas

Queda nas vacinações contra o HPV preocupa

Estudo mostra que imunização tem baixa em toda a América Latina, especialmente na segunda e na terceira dose

hpv

Cerca de 80% das adolescentes da América latina têm acesso à vacinação pública contra o HPV nos sistemas de saúde de seus países. Porém, apesar de disponível, a vacina nem sempre é tomada. Um estudo de autores brasileiros publicado esta semana na revista Cancer analisa a cobertura da vacina de HPV na América Latina e alerta para uma situação alarmante: redução geral na aplicação do imunizante.

O HPV é um vírus transmitido sexualmente que pode causar lesões precursoras do câncer do colo do útero e verrugas genitais. A vacinação é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como forma de reduzir os riscos de vários tipos de câncer, como o câncer de colo de útero, de vagina, ânus, pênis e garganta. Na América latina, 20 países possuem programas públicos de vacinação. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo SUS, em duas doses, para meninas entre 9 e 14 anos e meninos de 12 a 13.

A pesquisa mostra que nos anos que se seguiram à introdução da vacina nos calendários nacionais de imunização do países latino-americanos, houve uma drástica redução da cobertura da primeira dose. No Brasil, a cobertura vacinal diminuiu de 92% da população-alvo (meninas de 11 a 13 anos), em 2014, para 69,5% (meninas de 9 a 11 anos), em 2015. Uma redução de 23% em um ano.

Tendência semelhante foi observada em outros países da região, como o México, onde a queda da adesão foi de 22% na administração da primeira dose entre 2009 e 2013. Mesmo nações que vinham apresentando um bom desempenho, agora mostram um cenário preocupante. A Colômbia, que em 2013 teve uma cobertura de primeira dose de 97,5% — a segunda melhor taxa mundial depois da Austrália — viu esse índice cair para 20,4% no final de 2014.

“Os dados mostram que a tragédia do câncer de colo de útero, entre outros tumores relacionados ao HPV, no Brasil e na America Latina está longe de ter uma solução prática”, comenta um dos autores do estudo, Markus Gifone, oncologista da clínica Fujiday, Grupo Oncologia D’Or. “Mesmo investimentos de alto volume como um programa de vacinação de HPV demandam ênfase em medidas de educação, que mesmo entre profissionais de saúde, não se traduzem de maneira direta na ênfase na recomendação da vacina.” O câncer de colo de útero  é o terceiro em incidência entre as mulheres brasileiras segundo estimativas do INCA, com 16.200 casos anuais.

Descontinuidade e boatos

O estudo aponta também que na segunda e na terceira dose a adesão da população tem sido ainda menor. Na Argentina, enquanto mais de 80% das meninas da faixa etária alvo receberam a primeira dose, apenas 60% e 50% tomaram a segunda e terceira doses, respectivamente. No Panamá, a cobertura cai de 89% na primeira para cerca de 45% nas seguintes. A adesão entre meninos é ainda menor. Nos EUA, 60% das meninas tomam a primeira vacina contra 40% dos  meninos na idade alvo. O Brasil passou a vacina meninos apenas este ano.

Boatos sobre os supostos perigos da vacina e desconhecimento são apontados pelos autores como possíveis motivos para o cenário. “Além disso, acreditamos que as mesmas barreiras que se traduzem em uma baixa cobertura dos exames preventivos (Papanicolau) se tornaram obstáculos para uma cobertura vacinal mais eficiente, como o baixo conhecimento sobre a relação do HPV com o câncer e barreiras culturais para a vacinação de adolescentes”,diz Gifoni.

Um país de contrastes

A pesquisa revela ainda as discrepâncias de vacinação entre diferentes regiões do Brasil, indicando que as mais desenvolvidas apresentam maior taxa de cobertura em oposição as menos desenvolvidas.

Em Alagoas, estado nordestino com um dos piores índices de desenvolvimento humano do país e onde o câncer de colo de útero é uma das principais causas de tumores em mulheres, a cobertura de primeira dose foi de apenas 21,5% da população-alvo no segundo ano de vacinação pública.

O quadro só não é mais preocupante porque existem indícios de que uma dose única da vacina possa ser suficiente para imunizar contra o HPV tipos 16 e 18. Ensaios clínicos com o objetivo de avaliar a eficácia de uma dose da vacina já estão em curso.

Para os autores, o monitoramento apropriado da cobertura da vacina contra o HPV e seus efeitos permitirá aos países avaliar melhor as tendências nacionais e implantar estratégias mais eficientes.

“Precisamos estimular mais e mais a educação sobre o tema”, afirma Gifoni. “Seja entre médicos e profissionais de saúde, pais ou adolescentes, o conhecimento de que esta é uma vacina contra o câncer e não apenas contra o HPV deve ser mais difundido. A SBOC tem procurado participar de campanhas nesse sentido e essa é uma missão de toda a oncologia brasileira.”

 

 Por Sofia Moutinho

 

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