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20/03/2017  | Pesquisa

Pacientes com câncer de mama poderiam se beneficiar de tratamento já existente

Estudo indica que 1 a cada 5 pacientes poderiam ser tratadas com inibidores de PARP, mesmo sem mutações BRCA1 e 2

inibidores de parp

Mais pacientes com câncer de mama podem se beneficiar com tratamentos baseados em inibidos de PARP do que se pensava antes. Até o momento, essa classe de mediamentos, do qual o olaparibe faz parte, só era recomendada para mulheres com BRCA1 e2, mas nova pesquisa indica que, mesmo sem essas mutações, algumas pacientes podem responder ao tratamento.

O dado foi publicado na Nature Medicine, fruto de uma pesquisa internacional. O estudo aponta que até 20% dos casos de câncer de mama avançado poderiam ser tratados com inibidores de PARP. Esses medicamentos são um grupo de drogas que inibem as enzimas Poli ADP Ribose Polimerase (PARP), envolvidas em vários tipos de câncer. Alguns tumores são mais dependentes dessas enzimas para reparar o DNA do que as células saudáveis, tornando a substância um bom alvo na terapia contra o câncer. Nos cânceres BRCA1 e 2 as enzimas PARP estão mais disponíveis e os inibidores atuam bloqueando sua ação. Impedidas de reparar o DNA danificado, as as células cancerígenas morrem.

No estudo, foram analisados os genomas de 560 pacientes em busca de mutações associadas ao câncer. Os pesquisadores descobriram que muitas das pacientes tinham mutações semelhantes às do BRCA1 e 2. O resultado sugere que cerca de 1 em cada 5 pacientes com câncer de mama poderiam se beneficiar do tratamento já existe com inibidores de PARP.

“No passado, os ensaios clínicos com inibidores de PARP focavam em menos de 5% das mulheres com câncer de mama. Mas estamos mostrando que mais pessoas podem se beneficiar”, diz a líder da pesquisa Serena Nik-Zainal. “Isso pode mudar o modo como os testes clínicos serão desenhados no futuro.”

No Brasil, o inibidor de PARP olaparibe recebeu a liberação para câncer de ovário desde o início do ano, mas não está ainda disponível no rol da ANS. O oncologista Gilberto Amorim, do Grupo Oncologia D’Or, acredita que o estudo traz resultados promissores.

“Estamos aprendendo com estes estudos que uma proporção dos casos de câncer de mama avançados passam a portar mutações ao longo do desenvolvimento da doença, mutações somáticas, e não germinativas (aquelas herdadas)”, explica. “Identificando melhor estes casos, que não são tão raros assim, e sabendo que os inibidores de PARP funcionam para estas mutações, sejam elas somáticas ou germinativas, se ampliará no futuro o leque de opções terapêuticas no câncer de ovário e em menor proporção no câncer de mama também.”

O especialista, porém,  ressalta que essa ainda é uma realidade distante para o Brasil. “Não temos acesso rotineiro aos testes moleculares  sofisticados que detectam as mutações nas pacientes”, diz. “Mesmo no cenário privado, testes como estes não têm cobertura das operadoras, e os inibidores da PARP ainda não estão no rol de procedimentos da ANS, podem entrar em 2018 no melhor cenário, ou 2020.”

Os inibidores de PARP também receberam destaque esta semana em um especial da revista Science sobre novas fronteiras das drogas anti-câncer. Em artigo de revisão, pesquisadores da Universidade da Califórnia destacam que a classe de drogas vem mostrado avanços em testes clínicos para pâncreas e próstata, embora a resistência ao medicamento ainda seja um desafio.

 

Por Sofia Moutinho

 

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