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Martha Regina de Oliveira

Projeto OncoRede propõe uma reorganização da rede de cuidado integral na oncologia
O objetivo é criar um sistema de saúde organizado e responsivo, com regras claras, com pessoas atentas e capacitadas e informa- ção acessível, levando a um diagnóstico mais preciso da situação atual do cuidado oncológico
Por Daniela Barros
O câncer é um dos principais desafios pessoais […]

Projeto OncoRede propõe uma reorganização da rede de cuidado integral na oncologia

O objetivo é criar um sistema de saúde organizado e responsivo, com regras claras, com pessoas atentas e capacitadas e informa- ção acessível, levando a um diagnóstico mais preciso da situação atual do cuidado oncológico

Por Daniela Barros

O câncer é um dos principais desafios pessoais e coletivos que se pode enfrentar. E, nos últimos anos, o número de casos tem aumentado vertiginosamente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre os países em desenvolvimento, tudo leva a crer que nas próximas décadas o impacto do câncer na popula- ção corresponda a 80% dos mais de 20 milhões de casos novos estimados para 2025. No Brasil, a estimativa para o biênio 2016-2017 indica a ocorrência de cerca de 600 mil novos casos da doença. O perfil epidemiológico observado assemelha-se ao da América Latina e do Caribe, onde os tumores de próstata (61 mil) em homens e de mama (58 mil) em mulheres serão os mais frequentes.

A explicação para esse aumento de casos se debruça na redefinição dos padrões de vida, que inclui a nutrição, o consumo de alimentos industrializados e as condições laborais. Essa perspectiva torna evidente a necessidade de grande investimento na promoção de saúde e na busca da modificação dos padrões de exposição aos fatores de risco para o câncer.

Tanto o médico como os sistemas e as entidades de saúde têm papel fundamental nesta realidade, sendo o diagnóstico precoce e a implantação de medidas eficazes de prevenção os mais importantes. Porém, como adotar um esquema eficaz em um país de dimensões continentais como o Brasil? Pensando em uma alternativa integrada, que envolva diversas esferas da sociedade, como centros de atendimento, governo e operadoras de plano de saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) criou o projeto OncoRede. Esse modelo, proposto pela ANS e demais parceiros, contempla ações diversas, desde a prevenção e a realização de busca ativa para que seja feito o diagnóstico precoce até o período de pós-tratamento e outros níveis de atenção (cuidados paliativos).

Conversamos com Martha Regina de Oliveira, diretora de Desenvolvimento Setorial (Dides) da ANS, que detalhou as iniciativas e propostas desse projeto. Ela destacou que o Grupo Oncologia D’Or desenvolveu o projeto “Rede de Cuidado Colaborativo”, com o objetivo de também dar assistência às pessoas que lutam contra o câncer. “Com foco no atendimento ambulatorial e hospitalar, o projeto vai, com certeza, contribuir para o alcance das metas do OncoRede, reforçando o auxílio ao paciente que sofre com a doença”, comenta.

Onco& – Como surgiu o projeto OncoRede?
Martha Regina – O Projeto OncoRede é uma importante iniciativa da ANS para a implantação de um novo modelo de cuidado a pacientes oncológicos beneficiários de planos privados de saúde. Foi elaborado em parceria com institutos de pesquisa, instituições de referência nacional no tratamento do câncer, representantes de associações de pacientes e demais representantes do setor, a partir de um diagnóstico da fragmentação do cuidado e da informação na prestação dos serviços oncológicos na saúde suplementar e da necessidade de implementar um modelo orientado à coordenação e continuidade do cuidado oncológico (da suspeita do câncer aos cuidados paliativos e/ou aos sobreviventes).

Onco& – A quem ele visa beneficiar?
Martha Regina – O modelo propõe um conjunto de ações integradas capazes de reorganizar, estimular a integração e aprimorar a prestação de serviços de atenção oncológica no país. Na prática, o que se busca é um sistema de saúde organizado e responsivo, com regras claras, com pessoas atentas e capacitadas e informação acessível. Os resultados esperados são um diagnóstico mais preciso da situação atual do cuidado oncológico, o estímulo à adoção de boas práticas na atenção ambulatorial e hospitalar e melhorias nos indicadores de qualidade da atenção ao câncer na saúde suplementar.

Onco& – Quais são as principais barreiras existentes no modelo de saúde atual na atenção ao paciente oncológico? Martha Regina – Hoje, o sistema de saúde brasileiro apresenta inúmeras barreiras para a continuidade do fluxo do paciente na rede assistencial. A fragmentação da trajetória de cuidado do paciente em diferentes prestadores de serviços de saúde, sem que haja um compartilhamento das informações necessárias entre esses atendimentos, atrasa e dificulta o tratamento, comprometendo resultados. Como o câncer exige um cenário de atenção tempestiva, de tratamentos continuados, prolongados, complexos e de alto custo, é fundamental que, da suspeita do câncer ao tratamento e acompanhamento desses pacientes, haja uma profunda articulação de todo esse processo. Assim será possível observar a melhoria dos desfechos clínicos e a redução nas taxas de mortalidade.

Com base nessa constatação, o modelo OncoRede contempla a promoção da saúde e a prevenção do câncer por meio de diversas ações, entre elas a realização de busca ativa para que seja feito o diagnóstico precoce, a continuidade entre o diagnóstico e o tratamento adequado e em tempo oportuno, a informação compartilhada, a articulação da rede e a inserção da figura do assistente de cuidado para garantir que o paciente com suspeita ou diagnóstico de câncer consiga seguir o percurso ideal para o cuidado, o pós-tratamento e outros níveis de atenção (cuidados paliativos), além da proposição de novos modelos de remuneração que garantam a sustentabilidade econômico-financeira do setor.

Onco& – Como o OncoRede pretende superar esses desafios?
Martha Regina – Melhorando o fluxo do paciente oncológico na rede assistencial, aprimorando fundamentalmente a coordenação dos serviços por meio de laudos integrados do diagnóstico e por meio da figura do assistente do cuidado. Para aprimorar o rastreamento de cânceres passíveis de detecção precoce, está sendo proposta a realização de estudo que permita às operadoras e aos prestadores medir o número de pacientes oncológicos esperados em sua população, além da identificação do caminho a ser percorrido por esses pacientes após a suspeita de câncer e a definição de indicadores de monitoramento do acesso, da qualidade e do nível de coordenação do cuidado.

Onco& – O que se espera com esse projeto?
Martha Regina – Os resultados esperados são um diagnóstico mais preciso da situação atual do cuidado oncológico, o estímulo à adoção de boas prá- ticas na atenção ambulatorial e hospitalar e melhorias nos indicadores de qualidade da atenção ao câncer na saúde suplementar.

Onco& – Quais são os pilares desse novo modelo?
Martha Regina – Os pilares desse novo modelo de atenção englobam uma série de medidas. A primeira delas é a centralização do cuidado no paciente, invertendo a lógica do sistema hoje, que é voltado ao volume de utilização de tecnologias. Também prezamos pela disseminação da informação correta, completa e em linguagem acessível para os pacientes. A inserção de dados em registros de saúde facilitará a continuidade do cuidado, possibilitando o compartilhamento da informação por todos os profissionais que realizam o cuidado e com o próprio paciente. O laudo integrado de exames oferecerá igualmente um melhor direcionamento no momento do diagnóstico, facilitando e tornando mais efetivo o tratamento.

Vamos priorizar o screening e o diagnóstico precoce, porém pautados pela qualidade e em protocolos efetivos. Implementamos um sistema de busca ativa no momento do envio do resultado de exames, garantindo, assim, que o resultado dos exames críticos chegue ao paciente e a seu médico solicitante. Estabelecemos times multiprofissionais e grupos de decisão para a melhor definição de linhas de cuidado e uniformização de decisões. Articulamos a rede de estabelecimentos que irão, em algum momento, cuidar do paciente, tanto do ponto de vista de organização dos encaminhamentos quanto das informações e da continuidade da linha de cuidado.

Temos, ainda, o assistente do cuidado, que é responsável por conduzir o paciente ao longo de todo o percurso assistencial, facilitando e monitorando todos os possíveis pontos de dificuldade. O monitoramento dos resultados é feito por meio de indicadores, que podem demonstrar não só o desempenho do cuidado mas as possíveis melhorias no caminho assistencial. Outro pilar sensível é o de estabelecimento de estruturas de cuidado paliativo e tratamento de suporte, além do debate sobre morte e humanização no fim de vida. Propomos modelos diferenciados de remuneração que possam dar suporte à nova lógica de cuidado, incluindo a capacitação e o treinamento de profissionais da área da saúde. Por fim, tem-se o importante debate sobre o registro de tumor na saúde suplementar, visando a um melhor planejamento e monitoramento das políticas nessa área.

Onco& – O que o OncoRede traz de inovações? Ele foi baseado em algum modelo já existente?
Martha Regina – No livro Projeto OncoRede: A (Re)Organização da Rede de Atenção Oncológica na Saúde Suplementar, foram estudados nove modelos inovadores de remuneração no cuidado oncológico. A inovação desses modelos reside no pagamento unificado de um conjunto de procedimentos, comumente essenciais para um resultado positivo da assistência ao paciente com câncer, uma vez que a maior parte dos pacientes oncológicos precisará em algum momento do tratamento da tríade quimioterapia/radioterapia/cirurgia.

Onco& – Quais inovações o OncoRede tem comparado ao modelo atual de assistência ao paciente com câncer? Martha Regina – As principais inovações do OncoRede são as proposta de alerta de busca ativa no envio do resultado de exames críticos (suspeita ou positivo para câncer); integração dos laudos de exames (diagnóstico centrado no paciente e não em diferentes resultados de exames diagnósticos); incorporação na rede assistencial da figura do assistente do cuidado; definição de um conjunto mínimo de indicadores de monitoramento do cuidado oncológico a serem observados por prestadores e operadoras de planos de saúde e; por fim, teste de modelos complementares ao fee-for-service no cuidado oncológico no âmbito da saúde suplementar em alguns dos pilotos aprovados pela ANS.

Onco& – Como vocês pretendem agir em relação ao rastreamento?
Martha Regina – Para aprimorar o rastreamento de cânceres passíveis de detecção precoce, está sendo proposta a realização de um estudo que permita às operadoras e aos prestadores medir o número de exames esperados em sua população, a identificação do caminho a ser percorrido pelo paciente após a suspeita de câncer e a definição de indicadores de monitoramento do acesso, da qualidade e do nível de coordenação do cuidado. Em relação ao diagnóstico, está sendo discutida a operacionalização do laudo integrado de exames para o paciente, para que sejam definidos rotinas e requisitos mínimos de qualidade e continuidade do cuidado, de forma a garantir o tratamento apropriado e oportuno, baseados em protocolos terapêuticos e nas melhores práticas disponíveis.

Onco& – O projeto foi lançado há praticamente seis meses. Vocês já estão notando resultados?
Martha Regina – As experiências serão monitoradas ao longo de um ano; os modelos que se mostrarem viáveis poderão ser replicados para o conjunto do setor, de forma a estimular mudanças sustentáveis no sistema de saúde.

Onco& – Como funciona o compartilhamento de informações no OncoRede? Há um banco de dados aberto a todos os participantes?
Martha Regina – O compartilhamento de informações no Projeto OncoRede se dá em diferentes fóruns, onde há a participação de diversos atores do sistema. Os principais espaços de compartilhamento de informações são as reuniões quinzenais por webconferência do projeto, do qual participam os pilotos do Projeto OncoRede e os membros do GT de Oncologia; as reuniões presenciais a cada dois meses; o site da ANS, onde estão divulgados o histórico do projeto, as apresentações do GT, das webconferências e das reuniões presenciais (com a disponibilização do áudio inclusive), além do uso das mídias sociais (Facebook, Periscope e YouTube), onde materiais do projeto podem ser encontrados.

 

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Onco& Ano VII – Ed. 35

Capa:
Câncer em idosos, tratamento na medida e no tempo certos
Entrevista:
Martha Regina de Oliveira, diretora da ANS, discorre sobre o OncoRede, projeto que busca reduzir a fragmentação do cuidado nos serviços oncológicos
Panorama:
Mudanças nas regras prometem dar mais agilidade na pesquisa clínica
Do bem:
Suporte multiprofissional ajuda a melhorar a autoestima de pacientes
 

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