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04/04/2017  | Pesquisa

Epidemia de mastectomias bilaterais preocupa

mama

 

Novos dados divulgados esta semana no periódico JAMA endossam a percepção de que os EUA vivem uma “epidemia” de mastectomias bilaterais, situação que ganhou relevo com a decisão da atriz Angelina Jolie de retirar ambos os seios preventivamente em 2013 por carregar a mutação hereditária HER2 que acarretava em alto risco de desenvolver o câncer de mama. O estudo, que analisou a ocorrência do procedimento por estados, mostra que na última década houve um aumento geral de mastectomias bilaterais profiláticas entre mulheres diagnosticadas com câncer de mama em um seio, apesar da falta de evidências para tal.

Em cinco estados norte-americanos, metade das mulheres com menos de 45 anos com câncer de mama removeram ambos os seios, taxa acima da média nacional. Em 2004, eram 4,5% as pacientes submetidas ao procedimento, em 2012, passou para 13%. Entre as mulheres mais novas, a cirurgia se mostrou mais comum: 10% das pacientes entre 20 e 33 anos passaram pela intervenção em 2004 e 33% em 2012. Entre as mulheres com mais de 45 anos a taxa foi de 4% em 2004 e 10% em 2012.

Muitas mulheres diagnosticadas com câncer em uma mama acabam decidindo pela mastectomia bilateral por medo de no futuro desenvolver a doença  no seio não afetado. O oncologista clínico Gilberto Amorim, do Grupo Oncologia D’Or, explica, no entanto, que essa é uma possibilidade muito remota que não justifica a escolha. “Frequentemente o risco de o câncer voltar como recidiva sistêmica é muito maior do que ter um segundo na mama, mas nem sempre a paciente entende assim, ainda  mais logo após o diagnóstico”, comenta. “Vivemos hoje uma cancerofobia que já é realidade no Brasil também, em especial entre pacientes mais jovens de padrão alto, ainda que sem história familiar.”

O líder da pesquisa, Ahmedin Jemal, da American Cancer Society, acredita que o aumento do procedimento se deve ao ambiente cultural e às recomendações dos médicos, destacando que as mulheres tê menos chance de passar pela mastectomia bilateral quando bem informadas pelos seus oncologistas e cirurgiões.

Em 2016, a American Society of Breast Surgeons lançou uma recomendação contrária à mastectomia bilateral em mulheres com câncer de mama unilateral. O cirurgião Shledon Marc Feldman, da Divisão de Cirurgia de mama do New York Presbiterian Hospital, líder em cirurgia minimante invasiva, vê com preocupação o aumento das mastectomias preventivas e preconiza a cirurgia conservadora sempre que possível. “Passamos mais de 30 anos lutando para que a cirurgia radical deixasse de ser a regra”, diz. “Hoje sabemos que a cirurgia conservadora apresenta melhores resultados que a radical.”

Por Sofia Moutinho
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