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23/02/2017  | Pesquisa

Resposta à imunoterapia depende das bactérias do estômago

Estudo mostra que certas bactérias favorecem o tratamento contra o câncer

bactérias estomago

 

Pesquisadores descobriram que as bactérias que habitam nosso estômago e sistema digestivo, a microbioma, têm papel fundamental na resposta dos pacientes à imunoterapia. O estudo, apresentado na ASCO-SITC, mostrou que a capacidade de pacientes com melanoma avançado de responder aos inibidores de PD-1 depende da presença de diversas bactérias.

 

“Nossos resultados são iniciais, mas se forem validados em estudos maiores com outros tipos de câncer podem ter impacto significativo no tratamento e prognóstico do câncer”, diz a líder da pesquisa, Jennifer Wargo, oncogeneticista da University of Texas MD Anderson Cancer Center, em Houston (EUA). “Enquanto isso, precisamos entender melhor a influência da microbioma nas repostas do sistema imune e também como podemos manipular essa microbioma em favor dos pacientes.”

No corpo humano as bactérias são mais numerosas que as células que o constituem. Somente nosso estômago é lar de mais de 100 trilhões de bactérias de diferentes espécies. Cada pessoa possui um perfil diferente de microbioma, influenciado pela exposição a micróbios no inicio da vida e pela alimentação. Estudos anteriores já chegaram a associar essas características individuais à propensão à doenças, como a obesidade, e a alterações de humor.

“Temos cada vez mais evidência sobre o pale da microbioma do estômago sobre o sistema imune o câncer e nosso estudo é o primeiro a associar as bactérias à imunoterapia”, diz a pesquisadora.

 

Na pesquisa, foram coletadas amostras de amostras de microbioma de 233 pacientes com melanoma avançado em início de tratamento, dos quais 93 receberam imunoterapia anti-PD-1. As amostras foram analisadas para identificar as bactérias presentes.

 

Os pesquisadores observaram que aqueles pacientes com melhor resposta ao tratamento tinham um microbioma mais diverso.  Algumas bactérias estavam presentes em altas quantidades apenas nos pacientes com melhor resposta, como as da família Clostridiales. Já os pacientes com pior resposta apresentavam maior abundância da bactéria  Bacteroidales.

Os cientistas também olharam para a densidade de células do sistema imune dos pacientes e verificaram que os pacientes com melhor resposta apresentavam mais células CD8+T e que essas células estavam associadas a maior presença das bactérias da família Ruminococcaceae.

O próximo passo da pesquisa será entender melhor os mecanismo biológicos por trás da interação entre bactérias e sistema imune. A investigação vai incluir estudos pré-clínicos envolvendo transplante fecal de pacientes para camundongos. outra linha vai investigar como alterações no microbioma podem gerar diferentes repostas no tratamento.

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