Uma grande iniciativa de medicina personalizada no M.D. Anderson Cancer Center da Universidade do Texas descobriu que a correspondência de pacientes com câncer avançado em estudos clínicos em fase I com drogas-alvo, baseada no perfil molecular dos tumores, resultou em sobrevidas e tempo para falha do tratamento (TFT) maiores e melhores índices de resposta se comparados a pacientes tratados sem a correspondência molecular. Nos pacientes que tiveram a correspondência feita entre mutações tumorais e terapias específicas, o tempo até que o tratamento parasse de funcionar também foi mais longo se comparado às suas terapias anteriores.

Os achados, divulgados hoje na 47ª edição do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), podem levar a um novo modelo para condução de estudos clínicos em fase I e sugerem que uma abordagem de medicina personalizada comparável que corresponde mutações tumorais a terapias alvo apropriadas podem ser factíveis e levar a melhores resultados em pacientes.

“Uma habilidade melhorada para analisar tumores de maneira molecular, combinada com o desenvolvimento de terapias-alvo, levou a uma ênfase crescente na abordagem da medicina personalizada”, disse Apostalia-Maria Tsimberidou, investigadora principal e professora associada do Departamento de Terapêuticas Investigacionais de Câncer do M.D. Anderson Cancer Center, em Houston. “Esse é um  programa inovador que poderia ser usado como modelo não apenas para estudos clínicos em fase I, mas também em fase II e III. Essa estratégia terapêutica deveria ser eventualmente usada para o tratamento de todo paciente quando o sequenciamento para identificação de aberrações moleculares do tumor for possível em todos os pacientes. Nós demonstramos numa larga escala que essa abordagem de medicina personalizada é associada a resultados clínicos melhores. Estudos clínicos de fase I e estudos clínicos randomizados de fase II desenhados cuidadosamente, que inscrevem um grupo seleto de pacientes com tumores cujas anormalidades moleculares eram alvo de um agente experimental promissor, são uma nova abordagem promissora a desenvolvimento de drogas.”

No estudo, investigadores fizeram análises moleculares em tumores de 852 pacientes com câncer avançado que tinham uma média de quatro terapias prévias, identificando um ou mais mutações em 354 pacientes (41,5%). Pacientes foram tratados com uma variedade de drogas voltadas para mutações em genes como PIK3CA, mTOR, BRAF, MEK, KIT, EGFR e RET.

Os pesquisadores observaram que pacientes que receberam drogas-alvo que correspondiam a uma das mutações genéticas de seus tumores experimentaram melhora em sobrevida, assim como benefícios de tratamento mais fortes e de mais longa duração.

– Sobrevida: sobrevida mediana de 15,8 meses para pacientes com uma mutação que foram tratados com quimioterapia combinada, comparada a 9,7 meses para pacientes que não tiveram terapia alvo correspondente.

– Duração do benefício do tratamento: os pesquisadores observaram que o tempo mediano para falha de tratamento em 161 pacientes com uma mutação que foram tratados com terapia alvo correspondente foi 5,3 meses, comparados a 2,8 meses para indivíduos que não receberam terapia correspondente. Adicionalmente, eles observaram que terapias correspondentes proporcionaram benefício de maior duração que pacientes que o regime anteriormente usado por esses pacientes (mediana de 3,2 meses)

– Taxas de resposta gerais: para pacientes com uma mutação identificada, 29% tiveram ou resposta completa ou resposta parcial com terapia correspondente versus 8% para pacientes que não receberam terapia correspondente.

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