Testes realizados em animais podem abrir caminho para nova abordagem contra o alastramento do câncer

Cientistas identificaram uma substância que inibe de modo seguro a metástase em camundongos. A descoberta abre caminho para novos agentes terapêuticos para a metástase de cânceres agressivos, como o de pâncreas.

A metástase, o espalhamento do câncer de um órgão de origem para outros, é a maior causa de morte pela doença. E até hoje não existem medicamentos específicos para combatê-la. Os pesquisadores do estudo, publicado na Science Translational Medicine, investigaram uma pequena estrutura celular chamada compartimento perinuclear, encontrado apenas em células de câncer associadas à metástase.

Eles analisaram mais de 140 mil componentes químicos procurando por algum que tivesse atividade contra essas estruturas e identificaram a substância metarrestina como potencial droga. O componente já vem sendo testado também para o tratamento do câncer de ovário.
Para testar as moléculas, os cientistas criaram em laboratório uma linhagem de células de câncer com prevalência de 75 a 85% dessas estruturas. Os compostos que reduziram em metade a presença das estruturas foram selecionados para mais testes excluindo aqueles que induziam morte celular, dano ao DNA, toxicidade e bloqueio do ciclo celular. Assim chegaram à metarrestina.

Em testes in vitro, eles verificaram que a substância bloqueou a ação o compartimento perinuclear em amostras de câncer de próstata e pâncreas humanos, reduzindo o seu potencial metastático.

Metástase bloqueada em camundongos

A substância também inibiu a formação de metástase e melhorou a sobrevida de camundongos com câncer de pâncreas que receberam injeções diárias da substância por quatro semanas. Após 10 semanas do início do tratamento, os animais mostraram queda na metástase nos pulmões e fígado em comparação com o grupo controle.

O tratamento com metarrestinareduziu o número de tumores metastáticos no fígado e pulmão de camundongos com câncer de pâncreas. (foto: K.J. Frankowski et al., Science Translational Medicine)

 

O tratamento com a metarrestina em animais se mostrou seguro e não provocou os efeitos colaterais observados na quimioterapia padrão. Os autores acreditam que a droga possa ser uma nova opção de tratamento para cânceres metastáticos.

Os resultados são uma esperança especialmente para o câncer de pâncreas, que comumente apresenta metástase e tem uma taxa de sobrevida de 5 anos de apenas 5%.

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.