A primeira pesquisa nacional nos EUA sobre barreiras percebidas por médicos responsáveis por cuidados primários (PCP, na sigla em inglês) e médicos oncologistas no cuidado de pacientes de câncer de mama e cólon foi divulgada hoje na 47ª edição do Encontro Nacioanal da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago. A pesquisa mostrou, entre outros achados, que PCPs tinham muito mais probabilidade que oncologistas de reportar o pedido de testes ou tratamentos para proteção contra eventuais processos. Eles também reportaram com mais frequência preocupação com a falta de treinamento adequado para gerenciar as necessidades de saúde de sobreviventes de câncer de mama e câncer colorretal.

Há cerca de 12 milhões de sobreviventes de câncer nos EUA atualmente, comparados a 3 milhões nos anos 1970. Depois do término do tratamento, a maioria dos sobreviventes eventualmente faz a transição para PCP para follow-up. Segundo os autores, os achados mostram uma necessidade de melhor educação médica e treinamento em planejamento do cuidado para uma população cada vez maior de pessoas que sobrevivem ao câncer no longo prazo.

“Os cuidados com o sobrevivente de câncer vêm se tornando cada vez mais importantes, já que mais e mais pacientes estão vivendo mais e experimentando efeitos tardios, tanto físicos quando piscossociais”, disse Katherine Virgo, líder do estudo e diretora de pesquisa em serviços de saúde da American Cancer Society em Atlanta. “Os resultados destacam a necessidade de maior coordenação entre clínicos na questão do cuidado do sobrevivente de câncer. A sobrevivência ao câncer pode ser um tópico difícil de navegar e é necessário um esforço conjunto para ajudar indivíduos a fazer a transição de paciente a sobrevivente de maneira bem sucedida. Muitos médicos vêm se perguntando sobre o treinamento adicional necessário para lidar com tais questões.”

Segundo Virgo, barreiras médicas, financeiras e geográficas apresentam desafios para a coordenação entre clínicos que proporcionam cuidado ao sobrevivente. Os pacientes podem receber cuidado de vários médicos diferentes, algumas vezes em lugares afastados durante um longo período no curso de sua doença e de sua vida. A pesquisa, financiada e desenvolvida em conjunto pelo National Cancer Institue e pela American Cancer Society, teve como objetivo comparar as opiniões de PCPs e oncologistas sobre questões como testagem de follow-up, papéis, conhecimento, auto-confiança e barreiras percebidas para o cuidado do sobrevivente.

Mais de 2 mil PCPs e oncologistas dedicados ao cuidado de sobreviventes de câncer de mama e cólon completaram a pesquisa. No tópico cuidado do paciente após cinco anos do final do tratamento, a pesquisa revelou que oncologistas e PCPs consideraram diferentes barreiras como problemáticas. Os oncologistas tinham mais probabilidade de reportar preocupações sobre cuidados duplicados, e sobre qual médico deveria proporcionar cuidados de prevenção gerais. Eles também eram menos propensos a reportar treinamento inadequado e a solicitar com frequência testes adicionais devido a preocupações sobre má prática médica.

Os PCPs expressaram mais frequentemente a preocupação sobre cuidados perdidos, que podem incluir follow-up para detecção e tratamento de recorrências, novos tumores primários e efeitos tardios ou de longo prazo do câncer e tratamento do câncer. As diretrizes para o cuidado de sobreviventes de câncer tende a ser mais explícitas nos primeiros cinco anos depois do tratamento, mas ficam menos claras depois desse período. Os PCPs também parecem ser ter consciência de que há algo mais que eles deveriam estar fazendo para os pacientes, mas não têm muita certeza do que seria esse “algo mais”, segundo Virgo.

Virgo enfatizou a necessidade de melhor planejamento, apesar da falta de padrões de cuidado para sobreviventes de vários tipos de câncer. “Para pacientes fazendo a transição de volta para o médico responsável pelos cuidados primários, é essencial ter um resumo de tratamento e um plano de cuidado de sobrevivência para garantir a continuidade e coordenação do cuidado.”