Estudo mostra que cobertura de exames de mamografia está aquém do esperado

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Mastologia em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia revela que as brasileiras não estão fazendo a mamografia na idade recomendada e oferecida pelo SUS, entre 50 e 69 anos. A cobertura do exame no ano passado foi a mais baixa nos últimos cinco anos. Eram esperadas 11,5 milhões de mamografias e foram realizadas apenas 2,7 milhões, uma cobertura de 24,1%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

De acordo com o coordenador da pesquisa, Ruffo de Freitas Junior, as regiões Norte e Centro-Oeste são as que apresentam as menores coberturas no país. “A dificuldade para agendar e realizar a mamografia ainda é o principal motivo para o baixo número de exames, além da triste realidade encontrada nos hospitais com equipamentos quebrados e falta de técnicos qualificados para operá-los”, afirma o mastologista.

Segundo ele, os três piores estados foram Amapá, que realizou apenas 260 exames em detrimento dos 24 mil esperados, seguido do Distrito Federal, com 5 mil realizados quando eram esperados 158,7 mil, e Rondônia, cuja expectativa era de realizar 76,9 mil, mas somente 5,7 mil foram realizados. “Estamos diante de um grave declínio que reflete o cenário caótico do câncer de mama no país”, alerta o médico, chamando a atenção de que se for convertidos esses números em valores, o estudo mostra que o governo federal investiu apenas R$ 122,8 milhões dos R$ 510,7 milhões previstos para atender ao número esperado de mulheres nessa faixa etária, a que mais acomete as mulheres com o câncer de mama, segundo o INCA.

O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antônio Frasson, enfatiza que a entidade preconiza a realização da mamografia anualmente para todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade. “Isso significa que, se fôssemos ampliar a abrangência do estudo, o cenário seria ainda bem mais complexo”, diz.

Os dados referentes ao número de exames realizados em 2017 foram coletados do Sistema de Informações Ambulatorial (SIA) do DATASUS. Já o número de exames esperados foi calculado de acordo com o número de mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos e as recomendações do INCA para rastreamento bienal. Para o cálculo do número de exames esperados considerou-se 58,9% da população alvo, tendo em vista as recomendações do INCA.

O oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D’Or, lembra que a mamografia ainda é o método mais eficaz para detectar precocemente o câncer de mama. “O exame de rastreio é primordial”, comenta. “É óbvio que é importante a mulher conhecer o próprio corpo e a qualquer sinal de anormalidade ela deve procurar o médico, mas o que salva mais vidas é a mamografia.”

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.