Estudo de fase 3 mostrou dobro de sobrevida com nova terapia-alvo para esse tipo raro de câncer

Um estudo apresentado no ASH 2017 traz uma nova opção de tratamento para o linfoma cutâneo de células T, um tipo raro de câncer originado na multiplicação desenfreada de linfócitos T que gera, entre outros sinais, erupções e placas vermelhas na pele e em estágio avançado atinge o cérebro.

O ensaio clínico randomizado de fase 3, MAVORIC, contou com mais de 60 centros de pesquisa de onze países e testou a resposta da terapia alvo com o anticorpo monoclonal mogamulizumabe, hoje aprovado para o tratamento de leucemia e linfoma de células T no Japão, em comparação com o tratamento padrão com vorinostat. Tanto a sobrevida livre de progressão quanto a qualidade de vida foi melhor com o novo medicamento.

Entre 372 pacientes estudados, a sobrevida livre de progressão foi de 7,7 meses com o mogamulizumabe em comparação com 3,1 meses para o vorinostat.

“Descobrimos que o mogamulizumabe tem uma atividade clínica importante, não só na pele, mas sobre todas as células T malignas e linfonodos”, disse à imprensa a líder do estudo Youn H. Kim diretora do  Multidisciplinary Cutaneous Lymphoma Program da Stanford University School of Medicine. A sobrevida livre de progressão e a resposta global são claramente superiores, os efeitos colaterais toleráveis. Juntos, esses achados representam um benefício durável e significativo para os pacientes.”

O mogamulizumabe tem por alvo a proteína CCR4, frequentemente encontrada na superfície das células cancerígenas. Segundo os pesquisadores, efeitos adversos comuns entre os pacientes tratados como diarreia, náuseas, níveis aumentados de creatinina no sangue e níveis baixos de plaquetas foram duas vezes mais comuns entre aqueles que receberam o tratamento padrão com vorinostat.

Entre os efeitos observados nos pacientes tratados com mogamulizumabe estão reações relacionadas à infusão do medicamento, como erupção cutânea e calafrios. O medicamento foi administrado semanalmente por 28 dias e depois a cada duas semanas, enquanto o vorinostat foi tomado diariamente em pílulas. “Além de ser superior em termos de reposta global, a  qualidade de vida também é muito melhor com o mogamulizumabe”, disse a autora principal do estudo em coletiva de imprensa. “O medicamento já vem sendo usado no Japão e todos os efeitos colaterais são controláveis. Esperamos que a droga seja aprovada já no ano que vem nos EUA.”

O próximo passo do estudo será entender melhor os biomarcadores que podem predizer o resultado do tratamento e testar se melhores resultados poderiam ser obtidos com a combinação do mogamulizumabe e outras terapias.

Dos linfomas cutâneos, a maioria é de célula B, o de células T responde por 10% dos casos e é mais comum entre asiáticos.  No Brasil, a prevalência da doença ainda não é conhecida e existem estudos multicêntricos em andamento para elucidar isso.

Segundo a hematologista Davimar Borducchi, da Central Clinic, o estudo é animador a cenário mundial e inclusive no Brasil. “Os resultados são impressionantes considerando que eram pacientes refratários”, disse.”Traz uma esperança para os pacientes com subtipos desse tipo de linfoma, como micose fungoide e síndrome de Sezary”.

 

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Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.