Medicamento já adotado em mais de 70 países agora pode ser usado no Brasil

Após oito anos de espera, a Anvisa aprovou o uso da lenalidomida no Brasil para o mieloma múltiplo. O medicamento foi aprovado para uso, em combinação com a dexametasona, para adultos com doença refratária ou recidivada que já tenham recebido pelo menos uma terapia anteriormente.

O dossiê de solicitação de registro da lenalidomida incluiu resultados de quatro estudos clínicos de fase III envolvendo mais de mil pacientes. Ele já era usado em outros países por anos e age no microambiente da célula do tumor por meio de múltiplos mecanismos de ação, que causam a morte da célula do mieloma múltiplo e inibem a volta do tumor. A lenalidomina já era aprovada em mais de 70 países. Até então, os pacientes brasileiros contavam apenas com a talidomida para o tratamento da doença.

O mieloma múltiplo não tem cura, mas o medicamento desacelera a progressão da doença e aumenta as taxas de resposta ao tratamento. “Nos Estados Unidos, o medicamento já é usado há mais de 10 anos, com resultados positivos que proporcionam não só mais tempo de sobrevida aos pacientes com mieloma, como qualidade de vida”, explica a hematologista e pesquisadora Vânia Hungria, membro da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). “Para se ter uma ideia, há uma década, a sobrevida dos portadores de mieloma era de 3 a 4 anos. Atualmente, com o diagnóstico precoce e novos tratamentos, a sobrevida média desses pacientes gira em torno de 6 a 8 anos,” complementa.

Hoje há cerca de 30 mil pacientes com mieloma múltiplo no Brasil, a maioria acima de 60 anos. A doença ainda não tem cura, mas, se diagnosticada precocemente, pode ser controlada com tratamento. Geralmente, o diagnóstico de mieloma múltiplo é realizado tardiamente, devido a alguns dos sintomas mais comuns, como dores ósseas e na lombar, serem facilmente confundidos com osteoporose.

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