Estudo a ser apresentado na Asco aponta diferenças de resposta à terapia alvo para tumores dos lados direito e esquerdo do intestino

O local de início do câncer colorretal pode afetar o prognóstico do paciente. Indivíduos com câncer de cólon em estágio avançado têm chance de sobrevida maior se o tumor começa do lado esquerdo do intestino, segundo estudo que será apresentado na Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), entre 3 e 7 de junho em Chicago, EUA.

O ensaio clínico de fase 3, iniciado em 2014 e batizado de CALGB/SWOG, também indica que os pacientes com tumores com essa característica têm maior resposta a terapias alvo.

O estudo tinha por objetivo inicial observar como 1.137 pacientes com câncer colorretal metastático respondiam a tratamentos de terapia alvo usando as drogas bevacizumabe (vendida pela Genentech como Avastin) e cetuximabe (vendida pela Eli Lilly como Erbitux) em combinação com quimioterapia.

Porém, ao olhar para os dados gerais, os pesquisadores não identificaram diferenças significativas nas respostas entre os dois tratamentos, nem na sobrevida global nem na velocidade de avanço da doença.

Estudos anteriores já indicavam a possibilidade de diferença no prognóstico do câncer de cólon do lado direito (ceco e cólon ascendente) e esquerdo (cólon descendente, sigmoide e no reto), então os cientistas resolveram aproveitar os dados do ensaio para testar essa hipótese.

No novo recorte, os pesquisadores observaram que a eficácia do tratamento com as duas drogas variava de acordo com a localização do tumor. Os pacientes com tumor do lado direito mostraram maior sobrevida quando tratados com bevacizumabe (24,2 meses) do que com o cetuximabe (16,7 meses). Já os pacientes com tumores do lado esquerdo mostraram melhores resultados com o cetuximabe, com sobrevida de 36 meses em contraposição a 31 meses com a outra droga.

Ao descartar da análise os pacientes com o gene KRAS mutado, um biomarcador já conhecido e com resposta a terapias alvo, os resultados permaneceram discrepantes, com os pacientes com tumor do lado esquerdo vivendo em média 10 meses a mais que aqueles com tumor do lado direito recebendo o mesmo tipo de tratamento.

“Precisamos levar esses resultados em conta quando formos tratar os pacientes”, disse à imprensa o líder da pesquisa Alan Venook, da Universidade da Califórnia. “Nossos dados são bem significativos ao mostrar que cânceres de cólon do lado esquerdo são diferentes dos cânceres que surgem do lado direito e isso provavelmente vai mudar a abordagem de tratamento para esses cânceres.”

Os pesquisadores não sabem dizer o que causa essa diferença. Uma possível explicação estaria no desenvolvimento do intestino durante a formação do feto, pois cada lado é originado de uma parte do embrião, chegando a se configurarem com “órgãos” distintos que depois se fundem como um só.

A equipe de Venook aposta agora em identificar os biomarcadores relacionados a cada tipo de tumor, do lado direito e esquerdo, na esperança de criar tratamentos mais adequados para cada tipo de câncer.

Segundo o pesquisador, não se pode descartar a ideia de parar tratar os pacientes com cânceres de lado direito com essas drogas, que podem não estar fazendo o efeito desejado. Sobretudo porque os medicamentos possuem efeitos colaterais sérios.

A presidente da Asco, Julie M. Vose, destaca que a pesquisa mostra que nem tudo pode ser resolvido com estratégias baseadas na genética. “Vivemos na incrível era da medicina de precisão baseada na genética, mas esse trabalho nos lembra que a genética não é a única fonte de insights sobre como os cânceres devem ser estudados e tratados.”

 

Para ficar em dia com as novidades apresentadas, cadastre-se e receba nosso boletim eletrônico com os principais destaques do encontro.

revista-onco

Oncologia para todas as especialidades.