Jalecos de mangas curtas se mostram mais seguros em comparação com os tradicionais de mangas compridas

Imagine um médico. Provavelmente na sua imagem mental ele está vestindo um jaleco branco de mangas compridas. A roupa tradicional pode não ser a mais adequada. Diversos estudos mostram que os jalecos, especialmente de mangas compridas, são meios importantes de transmissão de patógenos e algumas pesquisas indicam que um modelo de mangas curtas poderia reduzir esse risco.

O Reino Unido, por exemplo, já adota desde 2007 uma política de jalecos acima dos cotovelos. Um estudo publicado recentemente na Infection Control and Hospital Epidemiology corrobora a prática. A experiência comparou o uso das mangas compridas e curtas em diferentes cenários de interação com pacientes.

Um grupo de 34 profissionais de saúde foi randomizado para vestir as duas versões da vestimenta e examinar manequins em camas de hospital. O peito e as costas dos manequins foram propositalmente contaminados com o vírus do mosaico da couve-flor, que não apresenta risco parta humanos. O exame durava cerca de 2 minutos e incluía procedimentos padrão como toque no abdômen e auscultar.

Após o exame, os participantes lavavam as mãos por 30 segundos e trocavam as luvas antes de examinar um segundo manequim, não contaminado. O jaleco usado nos dois exames era o mesmo.

Os pesquisadores então testaram a presença de patógenos nas mangas dos jalecos e nos manequins inicialmente não contaminados. O teste foi feito com os dois modelos de jaleco.

O resultado observado foi que o jaleco com mangas compridas promoveu mais contaminação. As mangas compridas dos jalecos tocaram os pacientes e os móveis do entorno, como cama, mesa de cabeceira e cortinas, em 44% das interações de exame.

O estudo foi o primeiro randomizado a comparar os dois tipos de jaleco. Mas dados epidemiológicos do Reino Unido logo após a implementação da mudança de vestimenta já mostravam a maior segurança das mangas curtas. Segundo o agência de vigilância sanitária britânica, os casos de contaminação hospitalar caíram 10% nos três primeiros meses após o início do protocolo em comparação com o ano anterior.

 

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.