Segundo um novo relatório do Institute of Medicine, as mulheres podem reduzir seu risco de câncer de mama se evitarem uma série de exposições ambientais, incluindo as radiações ionizantes desnecessárias, terapia de combinação de reposição hormonal e tabagismo.

Levar uma vida saudável – comer direito e fazer exercícios o suficiente -, bem como reduzir a ingestão de álcool também pode diminuir esse risco, disse a IOM em um relatório intitulado “Câncer de Mama e o Meio Ambiente”, lançado no San Antonio Breast Cancer Symposium.

Há evidências epidemiológicas consistentes de que a modificação desses fatores pode reduzir o risco de câncer, disseram a presidente da comissão Irva Hertz-Picciotto e colegas da University of California Davis, acrescentando que foram 230.480 novos casos de doença invasiva em 2011.

Segundo eles, a exposição à radiação ionizante pode ser minimizada, evitando exames médicos desnecessários tais como tomografia computadorizada.

Eles notaram que o uso de contraceptivos orais, terapia de reposição hormonal de estrogênio-progesterona e excesso de peso e obesidade entre as mulheres na pós-menopausa também têm sido claramente relacionados a um maior risco de câncer de mama.

O comitê também alertou para um possível aumento do risco de câncer de mama por exposição ao benzeno, 1,3-butadieno, e óxido de etileno – substâncias químicas encontradas no local de trabalho, gasolina, escapamento de carro e fumaça de cigarro – embora a evidência de um vínculo com câncer de mama seja mais limitada ou contraditória para estas substâncias.

Por outro lado, o comitê observou que existem boas evidências de que as tinturas de cabelo e a radiação não-ionizante dos celulares e outros aparelhos eletrônicos não têm impacto sobre as chances de uma mulher desenvolver câncer de mama.

O “debate ainda está aberto” quanto ao fato do bisfenol A (BPA), pesticidas, cosméticos e suplementos alimentares, bem como o trabalho por turnos durante à noite, estarem ligados ao risco.

Especificamente para o BPA, escreveram os pesquisadores, existem dados animais ou mecanísticos que sugerem plausibilidade biológica, mas não existe evidência suficiente de dano em estudos humanos.

Eles reconheceram que não há evidências quanto ao grau de redução do risco que qualquer uma dessas medidas possa conferir, mas sugeriram uma pesquisa nesse sentido.

Eles também ofereceram várias recomendações de outras pesquisas, como mais trabalho na compreensão da etiologia do câncer de mama e seu desenvolvimento ao longo da vida a fim de proporcionar estratégias de prevenção em fases.

“O câncer de mama se desenvolve durante muitos anos, por isso precisamos de melhores formas para estudar as exposições ao longo da vida das mulheres”, disse Hertz-Picciotto em um comunicado. “Também precisamos de melhores métodos para testar agentes que podem contribuir para o risco de câncer de mama e para explorar os efeitos da exposição combinada.”

A equipe também pediu mais pesquisas sobre os mecanismos de ação para possíveis associações com câncer e estudos sobre populações que possam ter exposições mais elevadas, tais como coortes ocupacionais.

Fonte: MedPage Today